"...afastar-se de uma imagem concreta ou ideal que não nos pertence, para procurar uma modalidade de vida totalmente independente."
(aldo carotenuto)
(aldo carotenuto)
As palavras acima são contrárias em relação aos relacionamentos humanos em sociedade mais complexa, semelhantes a que eu e você vivemos hoje. Podemos falar de liberdade, mas desejamos "uma vida totalmente independente" muito da boca para fora. Ao menos digo pelo eu percebo. Eu tenho hoje um vida totalmente independente no que diz respeito aos meus relacionamentos. Não trocaria minha liberdade - essa sensação de poder ir e vir sem falar para ninguém para onde e de onde - por ninguém. Nem cito mais que pelos meus filho sim, eu trocaria. Mas não falo por ser pai. Falo de ser livre. Hoje joguei bola. Li um artigo. Fiz um frango cozido. A roupa bate na máquina. Deitei para ler. Tiro uma soneca daqui a pouco. À noite vou correr um pouco. Ainda me sobra tempo para escrever sem ter de cuidar o que digo para não gerar mal-estar. Faço meus passeios, dou algumas escapadas, sou muito pouco comprometido, ainda que atencioso e carinhoso. Talvez por isso meu perfil seja de namorar. Até propus namorar livremente. Não é relacionamento aberto, nem nada de libertinagem. É algo como "não tenho tempo, nem disposição para seus problemas, e não levo os meus para você". O máximo que posso fazer seria ouvir, dar opinião, aconselhar, orientar o que eu acho, o que faria, o que valeria para mim. Imagine o que é "uma imagem concreta ou ideal, mas que não nos pertece", como escrevi no início. A autoconsciência de saber o que não nos pertence concreta e idealisticamente não é a regra. As pessoas não seguem seus reais sonhos. Seguem suas dependências emocionais. Assimilamos desejos de fora para dentro pelas mídias e mercadorias, que conduzem nossas vidas. É tão verdade que uma pessoa que fale bem, que seja culta, envolvente e que facilmente seduza os desejos que achamos nossos, ela mudam nossos desejos com facilidade. Nem tudo o que escrevo vale para todos. Acho que vale para poucos e poucas. Nem o que lemos pode valer para nós. Ou porque não compreendemos, ou porque não sabemos o que queremos. Mesmo assim, nós resumimos o que queremos na expressão "ser feliz". Descobri a paz interior e a felicidade quando voltei a ter nada, e não querendo ter nada. Depois que percebi que nada tinha e senti na mente humana a sensação de não poder fazer nada, a não ser existir simplesmente, afundei-me no puro existir. Era eu comigo mesmo, tendo de viver, querendo viver, não querendo nada a não ser a autossuficiência de meu quarto, minha cama, meu banheiro, meu sofá e livros e escritos. Em resumo, uma vida totalmente independente. Uma amiga minha me diz que meu interior desesperadamente quer alguém, e que a autossuficiência que prego é uma dor querendo alívio. Ela teria razão se não tivesse me casado aos 24 anos e ter me separado aos 40, e ter vivido um matrinônio de 15 anos, que me deu picos de felicidade e meus três amados filhos. Três anos depois de separado, jogar bola, ler, estudar, realizar meus projetos pessoais, não dar satisfação de onde e com quem está, sentir-se livre - ainda que sozinho, retomar meus estudos, são valores que caem bem a uma meia vida de existência autoconsciente daquilo que diz respeito a mim.
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