sábado, 24 de fevereiro de 2018

Poema Não Mais

Não Mais

Não mais aquele encardido cheiro
Amargo do dessabor insosso.
Lágrimas escorriam, deslisavam
Verdades, e traziam palavras soltas
A um mar particular de engodos.

Tive ilusões, e tive internas fúrias
Dos beijos, dos braços e abraços,
Pernas soltas, envoltas, cruzadas,
Ao ar bêbadas, sacudidas, trêmulas
Tudo passou ao sonho de nada.

A esperança única envergonhou-me.
A condição mortal sem eternidade.
Foi o tempo, do meu, nosso tempo
Perdido, que, se resta algo, saudade
Evaporou-se logo, longe, remoto.

Vivo melhor assim, castigando a dor
Que não sei sentir em mim deveras.
A ausência perene, como se nunca,
Nem nada, nem palavras, lágrimas
Cruzadas, porque em mim, só em mim.

Vivo o que me faz sempre amado.
No meu mundo próprio abandonado.
Quem ama a si, ama a parte boa
Da vida que esvai sombria e calada.
Nunca, morte em vida, porém, desistida.











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