Poema
Desde aquela noite fria
Que, trêmulos, nossos lábios se tocaram,
Noite alguma suspiraria tanta saudade
Quanto a perda da minha inocência.
Éramos crianças sonhadoras,
Dançando quadrinha,
Pulando fogueira iaiá,
Pulando fogueira ioió.
Eu sonhei quando segurei sua pouca mão.
Procurávamos na sorte do olhar
A voz de felicidade sentida.
Na roda feita e desfeita,
O bailado dos chapéus voantes
E das marias-chiquinhas.
Seu olhar sorriu para mim.
Acreditei com toda força de minha ilusão.
Não sei o tempo para você que não mais tive como antes.
A perda da inocência do amor foi estranha.
Refém fiquei.
Quase me perdi.
Nasceu em nossos corações algo estranho de sempre querer?
Eu perdi a inocência, minha doce morena.
Como o homem que com o suor do rosto come o próprio pão da terra.
Eu a quis por fim e você a mim alí.
A noite fria de julho pouco durou no momento.
Aprendi a amar sem a ter e sofri.
Recompensa das emoções.
Desde aquela passageira noite fria que não mais sinto essa vida uma passagem.
Saudades. A passagem dessa vida é de muitas saudades.
Desde aquela noite fria.
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