domingo, 4 de outubro de 2015

Quando Amar é Realmente Bom

Amar é algo bom. Gosto muito do amor. Ele aproxima. A vida conecta sentimentos. Nos libertamos do mundo exterior. Por isto que, se for amar, não pense em sua carência. Ela vai sufocar todo seu amor. E não será feliz e nem fará feliz. Seja íntimo de fazer intimidades do tipo cólica ou mesmo um imprevisto pum. Particularmente, eu tenho vergonha. Tenho vergonha de minha intimidade. A paixão, no entanto, cresce ao perdoar nossas vergonhas. Quem não sente algumas? E amamos mais no perdão, não é verdade? Não ao perdoarmos, mas ao sermos perdoados, porque seremos tratados como humanos, seremos queridos pela consciência de que a vida não se congela em um selfie esteticamente vislumbrante. A pausa dos segundos que antecedem a foto é uma perspectiva do que seremos e queremos ser. Se formos bem, nossa imagem nos agradará e amaremos ser vistos. Mas apenas uma imagem. Gosto de amar por isto. Não se ama algo parado, congelado, estático, sem vida. No fundo, precisamos daquela vida imperfeita. Precisamos que nos façam sentir intensa e amorosamente vivos na vulnerabilidade da imperfeição. A fraqueza da vontade da entrega gera o verdadeiro amor. Já amei a carne, já amei a beleza, já amei a essência. Hoje amo a entrega. Não aquela total. A entrega da intimidade do que nos faz feliz. Sou contra a carência. Ela destroi. Sou pró o amor: ele edifica. Sou crente no sacrifício: somente ele justifica o amor. De resto, é ser sincero com o que de verdade precisamos. Eu preciso de meus filhos porque os amo. Sinto que me sacrificarei por eles sempre. Ah, e eles sabem disto. Mas amar não anula o sacrifício. Ele o completa. Fora isto, é um pouco amor adolescente. Não querer se sentir sozinho na festa. O amor maduro sabe muito bem o que significa "antes completamente sozinho do que uma companhia que o lembra se vale à pena tanto gasto de energia por uma companhia." Sim. Amar faz bem. Amar quem sabe o sentido real do amor vale à pena? Somente os fortes entenderão. Não é fácil. Creio sim que não é para quem apenas pensa no amor como o eu-feliz. Amar o outro-feliz. O outro muito feliz. Reciprocamente.

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