quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Vejo o mar

Na praia de Boiçucanga. Vejo o mar ali, e o vento me afaga a temperança. A pele acalma-se suavemente pelas ondas e águas trêmulas incansáveis. Não é o pôr-do-sol ainda. Nem o amanhecer. Pergunto à minha reflexão em meu ermo existencial: o que são estas sensações, que sinto na pele, na consciência, no olhar? Sem resposta, a vida silencia-me a alma e me faz respirar profundamente. Lá, não longe de mim - estou na areia - vejo um barco feito pelas mãos dos homens. Ele sobre o mar, que foi feito pelas mãos de Deus. Eu não creio em acasos. E, por instantes, minha alma em conflito acalma-se. A arte me acalma. Busco na tarefa da escrita a eternização deste momento. E com uma fé exageradamente agradecida, deixo a vida sorrir para o mar, sorrir para os morros que me cercam, sorrir para o sol e para o vento. Por fim evoco Deus, criador de tudo isto para quem crê. E criador de mim mesmo, que creio, que sou passageiro neste mundo, mas aos olhos da eternidade, um milagre, semelhantemente a tudo e a todos que me cercam. E agradeço. Muito obrigado. Muito obrigado. Ser grato é o caminho para a paz interior.

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