domingo, 19 de março de 2017

Calma

Calma. Eu posso cuidar dos seus sentimentos. Eu sei cuidar dos seus sentimentos. Somente não posso dar a você meus sentimentos, porque o que você sente talvez seja carência, não amor. Tranquilize-se. De amor eu entendo. Já vivi por muitos anos a dor e a angústia de amar. Não há poesia que eu não entenda. Não há solidão que não entenda. Não há vazio existencial que eu não saiba do que é feito. Amei muito. Alma humana alguma nesse mundo teve maior amor do que o meu. Adoeci. Prostrei-me. Tornei-me poeta. Depois filósofo. Ateu. Um suicida. Por fim, chorei um último choro resignado de perda do amor infinito, que morria dentro de mim. Ele morreu. Choro inesquecível. Sei o que é amar. Sei o sofrer e nunca ter aquela que seria a essência de minha felicidade existêncial. Amei muito. Não era carência. Eu não tinha olhos para mais ninguém. Somente para ela. O poeta dentro de mim agradece-a. O filósofo que cresceu em mim agradece-a. Posso saber onde está o amor naquilo que ele se diferencia dos demais sentimentos humanos. Calma. Cuidarei de você. Cuidarei de seus sentimentos. Hoje eu sei o que é amar e sei o que é sentir-me amado. Algo simples. Como a mais bela poesia e como alguma filosofia de amor. Estou aqui. Meu jeito. Gosto de cuidar. Aprendi a amar sem sofrer.

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