O Adeus
O adeus pode ser radical, sem despedida. O adeus pode ser em pequenas gotas, em várias despedidas. Adeus, no entanto, não tem volta. Um sentimento difícil de aceitar. O bom de um adeus radical vem do sofrimento também radical e relativamente breve. Os mundos que se tocavam não mais existem e se perde a certeza do seu próprio mundo. O bom do adeus aos poucos, lentamente, é que ainda reconstruímos as perdas e trabalhamos com elas em nossa imaginação. Não vou deixar dramático dando detalhes. Poderia citar os adeus mais comuns. Meus detalhes, porém, ficam nas personagens das histórias pessoais que temos e que dizem respeito a nós mesmos. Não sou contrário aos adeus. Sou a favor de sentir algo que não se transfere porque merecedor de crédito: os nossos sentimentos. Felicito ao que se foi. Acolho as novas entregas. E entre partidas e chegadas, vivemos descobrindo o quanto somos mais maduros ainda que na ausência pelo adeus. Não discutirei felicidade porque tenho enorme dificuldade em falar sobre o que sinto e sou. Positivamente. Felicidade, ainda que a dores venham de fora, e eu as sinta como minhas. Mas são não. Nossa maioria das dores não são nossas não.
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