Os foras. A minha vida é um exemplo de foras que eu tomei. Já no início desse romance, para que não espere apenas angústias, digo que tenho 26 anos. Sou formado em medicina. Até que não sou feio para meus 1,79 metro. Sou atleta meio-maratonista. Um pai e mãe generosos, que me deram bem mais do que um filho poderia merecer. Voltando aos foras, o que me preocupa em minha vida inicial de doutor residente são os foras que tomei. Ontem mesmo eu pedi uma chamada de vídeo para uma amiga com quem converso há muito tempo e nunca a conheci pessoalmente, a Lica Adelaide. Ela não gosta de Adelaide. Eu insisto que é uma bela homenagem que seus pais fizeram para a bisavó paterna, que veio fugida da Revolução Russa para o Brasil, em 1917. Sua bisavó tinha 27 anos. Lica vem de Elisângela. Elisângela Adelaide. Não vou colocar o nome dela completo para não ter problemas com exposição e sei lá o que a justiça interpreta sobre isso. A Lica Adelaide é uma fofura de mulher. Pouco mais velha que eu. Em dois meses completa 32 anos.
- Aceita a chamada.
- Não. Estou descabelada.
- Mas eu quero você exatamente assim sempre.
- Não.
- Sem maquiagem.
- Não.
- Com olhar de sono.
- Não.
- Uma vida a dois para sempre.
- Não.
Para a Lica Adelaide o não é não. Esse foi o fora de ontem. Correndo a meia maratora, se não me falha a memória em 2014, era mês de agosto e fazia muito sol na Grécia, uma holandesa de nove irrecordável desconsiderou ter chagado quase juntos. Eu a olhei ao cruzar e linha. Ela alguns segundos atrás. Dois ou três. Peguei um isotônico, oferici a ela. Não entendo holandês. Vi recusando com a cabeça. Ela não sorriu.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Os foras
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