"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental." Sinto mal-estar ao ler este infeliz verso de Vinícius de Moraes. Nunca gostei deste verso, assim como nunca gostei de muitos versos de Vinícius de Moraes (que me perdoem seus admiradores!), porque parecem versos tirados de mesa de bar, o que é bem provável. Por outro lado, eu não sou hipócrita e cínico de achar que a beleza não nos seduz e arrebata, momentaneamente. Quem não? Quem nunca? Quem não e nunca foi refém por segundos eternos diante da beleza avassaladora, quando bem próxima, tão próxima de nós? A beleza ao lado nos prostra, é verdade. Todos, portanto, nos seduzimos e nos petrificamos. As feias e feios que nos perdoem, mas a beleza é de fato meduza sedutora que nos petrifica, e na maioria das vezes somente causa aborrecimento e destruição - beleza sem essência empática é horrível. Apenas e tão somente aborrecimento o belo e a bela em si, para si, consigo. Eu, que estou no limiar entre o feio e o não feio, não me olho no espelho, nem me iludo com a beleza, a não ser o belo da arte, que é bem relativo. Não se espera da idade a beleza. A beleza na idade vem de valores, nem tanto de olhares. Não se olha a beleza na idade. Sentem-se de muitas perspectivas. Espera-se da idade mental ser compatível com a idade física. Neste particular a beleza transborda lindamente, e por razões das mais diversas, a ponto do olhar da vida se transfigurar uma linha imaginária coerente do que eu fui, do que eu sou e do que eu serei. E prolongar a análise do que a história da humanidade foi, é e será. E do Universo que um tempo futuro se reestabelezará na sua harmonia eterna com o seu eterno sentido oculto para nós, humanos. Vinícius de Moraes que me perdoe, mas este seu verso foi infeliz demais e pessimamente fundamental. A poesia tem que causar o brilho da inocência seriamente, e não polemizar, não segregar, não cansar, não intimidar, destruir e inferiorizar. Inferior somos todos perante o tempo - inclusive o belo. A beleza eterta é espiritual. Eu descobri, não bonito que sou, que preciso é ser mais feio do que bonito espiritualmente para respirar melhor, sentir melhor, refletir melhor, melhor viver na paz desejada. Sim. Paz interior tem a ver com esvaziar qualquer beleza fora de nós. Exatamente qualquer. Às vezes solto algo belo na palavra falada ou escrita. Palavra bela porque se deseja exaltada, não a palavra em si, vida humana. A vida humana não é um olhar petrificante, ainda que bela. Sim, potencialmente bela, porque belo deve ser nosso espírito, e que me perdoe a ignorância, mas a sabedoria com o passar dos anos é fundamental.
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