Poema para {Todas [Algumas (Uma)]} Mulheres
Traduza-me minha alma que lhe entrego meu corpo.
Traduza-me meu corpo que lhe entrego minha alma.
Já fui metade, porque conseguia completar-me naquela solidão.
Não preciso mais entregar metade de mim mesma a ninguém, porque me completo apenas por inteira.
Não sou e não devo ser aos olhos de ninguém, nem aos toques, aquilo de simplesmente ver e tão somente sentir.
Quero o toque na alma,
E ver-me inteira.
Quero sentir-me vista na alma,
E tocada por inteira.
Quero dançar entre as sensações que a vida vivida me negou a metade.
Não creio mais na ilusão, porque a ilusão era aquela metade não preenchida.
Ver-me a alma.
Sentir-me o corpo.
Aos olhos e toques do outro.
Traduzir uma e outro em gestos sinceros de acolhimento, respeito, espaço, confiança, sem impor seus limites, e deixar a natureza da verdade a harmonia de tudo.
Tudo depende do olhar e do toque.
Tudo depende de como me vê.
Tudo depende de como ver-me a minha alma e meu corpo.
As demais, já sei, já tive, já conheço, já experienciei.
Hoje escolho.
É desconfortável a perda da inocência,
Mas confortável infinitamente é ter a mim mesma.
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