domingo, 25 de agosto de 2019

À Fernanda Young

À Fernanda Young (1970 - 2019)

Só ouvi e senti
A dura verdade que nos espera.
Não ela a nós,
Mas nós a ela,
E mal sei do sol e da noite
Cruel e sincera.

Nunca a li, mas agora senti
Aquela desconcertante pergunta
Misteriosa e fria,
"Que mais vale da vida?"
Crise existencial sem sorte
E ela vem repentina, a Morte.

Querida jovem escritora,
Que de nome só conhecia,
- Não me escondo e fraco sou -
Que parte desta parte do mundo,
E mudo estou, sem nada
Senão ao ar o porquê deste dia.

Ao menos sinto e ao sentir
Entrego-me à vida presente
- Ilusão de quem ama e vive -
Porque ainda aqui estou
Nestes versos passageiros.

Jovem e tão cheia de vida
Passada em palavras a limpo.
Jovem no que dói em mim
E nos outros que vêm e vão.
Eu descanso no que não sou,
E o descanso vem, bem, sem, nem, tem.

Jovem e nos versos algo eternamente jovem...

- flavio notaroberto

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