quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ser Ouvido

Nossas artes. Nossos espaços. Uns se preocupam com Boticário, outros com a Cruz de Jesus e suas blasmênias, outros tantos berram para diminuir a Maioridade Penal. Eu? Vou levando minha voz real e concreta (não mais um na multidão anônima nos "protestos") aos poucos jovens que me ouvem. Todos somos mudados desde que tocados do jeito sincero e honesto. Não cabe em mim espaço para a mentira, porque paz só a tem quem não precisa se explicar tanto. Possivelmente estes jovens sentem minha objetividade. Minha vontade de compartilhar a paz, ainda que o mundo me queira em guerra. As pessoas berram para ter razão. Os jovens querem ouvir algo próximo à verdade. Olha que eu já berrei demais com meus três filhos, e me arrependo muito de tê-lo feito...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Promocao

Promoção DIA DOS NAMORADOS

Meus livros: CONTOS SUAVES e NÃO É CONTO NEM FÁBULA, os dois por R$40,00.

Inbox ou whats 99620-1529.

Amar o que o outro ama

Simplesmente amo estas coisas. Sempre penso que precisamos amar o que as pessoas amam. Senão qualquer relacionamento se torna vaidade, apego, carência em querer tê-la ao nosso lado todos os momentos. Vai sufocar e machucar. Quero amar o que a pessoa ama para estar ao lado dela; quero que ela ame (e não ature ou tolere ou minta que goste) as coisas que eu amo. Do contrário, o início já é o fim. Amando o que cada um ama com sinceridade, quando os anos vierem ao lado de uma pessoa, o amor compartilhado apagará os anos, transformando-os em bons momentos, em boas memórias. Isto é parte daquilo que se chama felicidade. Ter e viver um constante presente de boas memórias. Sem ilusão: os altos e baixos existem, né?

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sob Paixão

Depois do encanto pouca coisa resta. O encanto é a magia, é a ilusão, é a inocência. Após a perda da inocência, nosso olhar no mundo fica bem mais atento, mais disciplinado, mais consciente, mais malicioso. A magia desaparece simultaneamente. Descoberto o que o mundo esconde, nossos olhos internos se abrem. Aprendemos e somos outra pessoa. As sensações, ou nossos sentidos não são mais controlados pelo acaso. Queremos sentir o gosto da bebida, mas será esta a finalidade? Sentir o calor do sol na praia, mas será suficiente? Fazer do perfume um aliado, mas sem intenção alguma? Saborear todo um ambiente de jantar: prato refinado, som aconchegante, uma ou duas velas, vozes diversas quase silenciosamente sussurrando a bem pouca altura, sem relógio, sem smartfone, sem tempo real, e sem malícia alguma. Sem malícia alguma em um jantar assim?

Tirando a malícia que nos domina quando abrimos nossos olhos internos, como o encantamento do mundo nos atrai e até nos trai na inocência! Não há quem resista à inocência, ou ao ar de inocência. Mesmo porque o ar de inocência pode ser um ar de confiança, do tipo "confio em você", do tipo "deixo você me conduzir", do tipo "não sou inocente; estou, na verdade, simplesmente sob paixão; estar sob paixão me resgatou o encanto do mundo; estou sob encanto e meu olhar ao seu lado passa a ser a todo momento, um momento de descoberta, uma novidade do velho em minha alma."

É isto. Sob paixão.

Miguelito

(pequeno trecho de "Miguelito: Memórias")

─ Que perfume este tambaqui, Adelaide, disse sobre o peixe no forno, ainda com a batina, mas já se desbatinando.

─ E a missa, Miguel?

─ Tristeza, mas é vida que se segue ao mesmo tempo.

─ E o da finada?

─ O Firmino está com o garoto.

─ Vai adotar mesmo?

─ Não é o primeiro, Adelaide.

─ Mas os outros são seus filhos!

─ Nem todos. Nem todos, lembrou-lhe o padre Miguel que mudou de assunto, abrindo o armário dos vinhos.

─ Onde está aquele vinho branco chileno que eu ganhei semana passada do Dr. Cintra? Eu tinha deixado aqui com os outros.

─ Já está na geladeira, Miguel.

Um peixe sempre acompanha um vinho branco, e um vinho branco sempre acompanha o bom da vida. Refletiu com o aroma do assado e abriu a garrafa. Amava o breve estampido da rolha. Uma de suas coleções: rolhas de garrafas. Cheirou a rolha. Bom. Muito bom. Padre Miguel era prático e a cada segundo refletia se realmente valeria todo sacrifício viver. No fundo sabia que não. Viver é sofrer, e lembrou-se do filósofo alemão Schopenhauer. Resgatou suas memórias de criança já que a língua alemã é sua língua nativa. Mais fluente que português  e língua dos filósofos. Como todo filósofo é discípulo da morte, antes de morrer que tivesse seus momentos de prazer também. Lembrou-se do filósofo grego Epicuro.

─ Hoje à tarde, refletiu, serei mais um hedonista, porém.

Além do peixe, mandou goela abaixo duas garrafas inteiras de vinho branco e três doses de conhaque. Comeu do peixe e depois bebeu até anoitecer, sentado na sua poltrona de vime recoberta por couro tratado e acolchoado macio.

Viver é sofrer, disse para sim mesmo, logo no início da noite dialogando com o cérebro discreto e totalmente embriagado. Para o sofrimento, filosofia, bebida e uma soneca!

Adelaide tirou os sapatos dele nos primeiros roncos. Ela cuidava muito bem daquele homem de coração bom. Permitiu ao padre entrar noite a dentro com a mesma cara de homem bom que o acompanha nos seus momentos mais duros, que são partes constantes de sua vida. Bebidas e mulheres eram seus pecados. E vivia ainda para Deus. Adormeceu e amanheceu seu punhado de horas naquela poltrona.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dia dos Namorados: não se iluda

Vida de solteiro. Inevitável sentir ou não. Dia dos Namorados. Não dá para pensar em ser solteiro sem pensar em namorar e vice-versa. Mais delicado ainda: vida de solteiro em oposição à vida de não-solteiro. Já falo: não nos iludamos.

Darei uma palestra para jovens falando de Amor nesta sexta, dia 12/06. O tema foi sugestão pelo dia. Dia dos Namorados. Pedido da coordenadora da ONG.

Os dois grandes temas da Arte, nos filmes, na poesia, nos livros, nas peças de teatro etc., são Amor e Morte. Dois temas universais ao redor dos quais tudo gira. A morte é um fato; o amor é uma real ilusão. Lembro que o amor pode passar pelo perdão e pelo sacrifício. Mas como o amor tende mais para a ilusão, durante nossas vidas, nós nos ocupamos infinitamente mais com o Amor, o amor-ilusão. Sim. Iludir-se é arrebatador.

Não se enganem. Namorar é o início de uma ilusão em que se envolvem vaidades e entregas. Às vezes contra a própria vontade. Às vezes aos poucos impondo a própria vontade. Uma dispita.

Há um filme interessante a respeito, chamado "Alguém tem que Ceder". O nome já diz tudo sobre o filme. Lembro o filme porque ele é sinônimo de entrega: um dos dois tem que ceder. Quem? Cede com mais facilidade quem ama mais, ou é mais inseguro, ou mais maduro, ou simplesmente por não amar mais e ser indiferente. Resumindo: ceder ou é fraqueza ou indifereça ou virtude de maturidade.

Não se engane quanto à ilusão do namoro em si. Demore no namoro o máximo possível, até o fim da vida, mas não nos enganemos sobre a ilusão: um dos dois será a posse, um dos dois será oprimido, um dos dois carregará um fardo mais pesado. Se valerá à pena? Oras, aí não é questão de julgamento. Já é experiência. Já pensou que as pessoas querem apenas sentir a experiência de namorar? O que incomoda às vezes é apenas esta coisa simples chamada falta de experiência.

Evidentemente esta reflexão é mais para os solteiros. Mesmo porque eu escrevi estes dias que "apaixonar-se por mim é um perigo, porque não creio mais em paixão, senão comunhão de gostos e caminhos semelhantes." Não dá para se iludir mais.

O fato que deve ficar claro é que quem ama não desiste. Não desiste mesmo. Se desistiu não ama mais. Não sei quem disse, mas foi falado que "onde não houver amor, não se demore." Talvez mais um motivo para não se iludir com o namorar. Sou a favor de tudo desde que não seja o mal e desde que seja uma vontade pessoal. Apenas não se iluda com a falta de namorado ou de namorada. Ou de ambos. Vai saber, né?

Sexta-feira as pessoas manifestarão seus amores e eu tenho certeza que a maioria deles é sincera. É que eu já estou velho e passei por tantas coisas em relação a sentimentos amorosos que sublimei tais valores ilusórios e mantive o que me importava. Aquilo que nos importa preservamos mais. E uma das coisas que me importa é dar palestras. Sexta-feira, aliás, falarei de amor. Espero que o jovens saiam crendo mais ainda no amor e se possível mais apaixonados. Se possível também, por si mesmos. As pessoas amam quem, primeiro se ama. Engraçado, né? Por que será?

domingo, 7 de junho de 2015

Por Sheila

"Oi, Flavio, está muito rico seu 'Miguelito'. Rico em conteúdo, em idéias, em sensações. Você escreve de um jeito tão profissional, sabe, que, de verdade, senti orgulho só por te conhecer. Está fácil de ler, mas não por ser simplório, porque isso ele não é, mas talvez pela sua forma de escrever mesmo, sei lá, seu jeito, suas técnicas. Está agradável, gostoso de ler. Tudo muito bem escrito. Te agradeço por me mandar. Essa coisa que você fez de colocar a religiosidade conversando com a sensualidade deixa a estória forte, mas não está apelativo, está bem dosado. Quem está lendo, fica com vontade de ler mais.

Sabe a cena que mais me envolveu? A que você descreve o Juan e o Juarez brincando com as formigas enquanto a mãe está caindo sozinha com a bolsa já rompida. Sensação ruim. Ainda com ela pedindo ajuda e o marido nem ouvindo por haver acabado de chegar da farra. Essa tia que também não ouviu por estar lá rezando tanto. Coitada da Terezinha. Só as crianças ali. Nossa!"