sábado, 16 de julho de 2016
A Liberdade e a Solidão
Diálogo
Ela: Gratidão por compartilhar. Gostei desta parte "Somos início, principalmente. Fim? Claro, a partir de um certo momento, recomeços já cheios de histórias."
Eu: Exato. E você está em recomeço cheia de histórias?
Ela: Sim. Todos os dias, eu acredito ser um recomeço! Sempre podemos acordar e fazer diferente.
Eu: Amém. Mas há os recomeços de fato. Sabe quando decidimos ou somos obrigados? Tipo, desemprego, separação, falecimento de alguém etc. Aí os recomeços são parte de continuar ou desistir...
Ela: Sim.
sábado, 25 de junho de 2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Cirurgia da Virgindade
Cirurgia que promete trazer a virgindade. Não sei se masculina ou feminina. Provavelmente fenimina. E sobre isto tive uma experiência interessante. Eu me relacionei com uma jovem. Linda, inteligente, apaixonante. A idade foi um fator para mim. Vinte e um anos de diferença. Ela teve um relacionamento acho que por quatro ou cinco anos. Eu no meu momento delicado, pós separação, vivia muito confuso e atrapalhado. Mesmo assim, foi muito bacana. Bacana e verdadeiramente verdadeiro. Certa vez eu pergunto a ela:
- Sobre a pessoa com quem se relacionou por tanto tempo, quando você acha que o deixou de amar.
Estávamos dentro do meu carro. Iria deixá-la no metrô. Ela me olhou e me disse:
- Eu acho que não sabia o que era amar antes...
Marejaram seus olhos. Ela abriu a porta do carro. Saiu às pressas, ainda que eu insistisse para não ir. Confesso que meus sentimentos ficaram confusos, e falo como quem agradece poder entender algo muito pessoal. Entendi que tirar a vingindade de alguém representa muito pouco. E me explico. Porque naquele momento trouxe para mim uma responsabilidade muito grande. De certa forma, ela aprendeu as delícias e tormentos de amar através de mim. Um homem que tira a virgindade emocional de uma mulher e vice-versa não tem operação que resolva. Prometi a mim mesmo tomar o máximo possível de cuidado com ela. Afinal, temos uma geração de diferença. Eu poderia ser o pai dela, da mesma forma que o Michel Temer poderia ser o avô da Marcela Temer. Tratei meu relacionamento con ela com o cuidado que era possível. Errei muitas vezes. Mas creio que ela sabe que jamais abusaria do amor, ainda mais do amor tão virginal, tão casto, tão imaculado que estava surgindo para, como disse, as delícias e dores da vida. Quando aprendemos a amar, definitivamente entendemos que jamais teremos psicopatia, na essência técnica do que significa psicopata: frio, insensível, indiferente, calculista, egocentrista...
domingo, 19 de junho de 2016
Poema
A Noite e Clara
Era noite ainda.
Clara disse,
Olhar solto,
Era tímida,
Que amar,
Assim de dia,
Sua vida vivida
Muito mais ela a
Prolongaria.
Clara sorriu.
A timidez coloria.
Buscou no chão
A tal solidão
Que sentia.
Clara, timidamente,
Chorou seu sorriso
E gritou no silêncio:
"Sempre amaria!"
Dor passageira.
Uma hora, sim!
Sim, qualquer hora,
Ela, a dor, em lugar,
Em lugar algum
Desvaneceria.
Sua felicidade,
Clara, claro, clarearia.
O dia veria da noite
Sombria. Clara iria.
Era a noite posta
Ao vento posta
Os uivos sons...
Sombrios, noite fria.
"Clara, clareou o dia!"
O dia lhe sorria.
Confusão do amor.
Que amor haveria?
Era a voz da alegria.
Cantou Catão o amor.
"Nosso dia clareou!"
O amor uniu
A solidão de Clara
E de Catão o desespero.
"Volta para mim!"
Não podia, poderia.
E vivem amantes
Feitos ares fugazes
Paixão de dia e noite.
Paixão eterna
De noite e dia.
Eternamente dia.
Poema
O Ar Vazio
Anjo da minha alma.
Anjo da minha vida.
Saem tão soltas as palavras.
Do espanto, do susto.
Por um momento não sei.
Não sei onde termina.
E estendo meus braços
Para alcançar os seus;
Elevo-os ao ar e no ar ficam, suspensos.
Indo, buscando, mas o vazio frenético.
No vazio repousam agitados.
Permanecem intocados.
Dá-se lhe qualquer nome
Que um dia traduziria o inalcansável.
Anjo da minha alma.
Anjo da minha vida.
Marcas são o que ferem a luz do ar que me sublima.
Então o ar em si termina.
Termina como no breu a vida.
Os braços se recolhem.
Vivos.
Presos na ilusão do vazio.
Vida, a viva no toque da eternidade.
A rima, uma rima, qualquer rima.
Saudade, saudade, saudade.
Meu recanto, meu encanto, meu canto.
O ar vazio.
Flavio Notaroberto
domingo, 29 de maio de 2016
Sensível
Não é que a mulher não aceite um homem mais insensível. É que a sensibilidade cria empatia e a empatia vicia porque há cuidado. Que querenos? Como, então, deixar de lado a sensibilidade para ser mais um que passou na vida de uma sem memória afetiva? Imagino a possibilidade de um curto período ser uma vida toda, cheia de agradecimento ao fim. Conhece-se; vislumbra-se; ama-se; agradece-se; despede-se. Como um fim de casamento de longos anos, de uma vida inteira. Claro que falo egoisticamente. Eu que sempre cri em relacionamento estável, ou sinto a estabilidade nos momentos juntos. E o retorno à solidão quando no primiro adeus. Cada qual tem lá a sensibilidade, seja no objeto, seja na palavra, seja inclusive no olhar silencioso. Escrevi algo que a arte potencializa sentimentos. Não sensações. Mas sentimentos. E sentimento potencializado é uma força apenas cujas consequências deveriam ser o momento em que se vive. Já me apaixonei por minutos. É uma vida tão verdeira refletida no ritmo que respiramos. Ponto de ônibus tem muito disto. Foi amado e amada até linha chegar. Ao passar da catraca, separação. Ainda mais se apertado no desconforto. Sim. Existe aperto cheio de conforto sobre o qual não falarei. A imaginação resolve por si mesmo os espíritos já provados. Bem, domingo, dia do início da semana. Dia real da preguiça. Esquece segunda-feira. Esta última é do renovo e do desespero. Somente quem sabe ou já soube a dor de viver sem sentido (dos meus 18 aos 22) compreende a real segunda-feira. Hoje eu a amo. Porque superamos toda dor quando o amor nos habita. E falando em habitar, permita que habite momentos em seu coração. Ainda mais quando cheio de emoções e experiências.
