terça-feira, 12 de janeiro de 2016

CRITICA MIGUELITO: MEMÓRIAS, por Sheila Pacífico

"Flavio seu livro (Miguelito) tá uma delícia. Tem de tudo nele como acontece na vida da gente. É divertido, informativo, tem uma saliência na medida certa. Religiosidade, Filosofia, História, Literatura. Tudo colocado com conhecimento e delicadeza. O livro tem partes mais dramáticas, mas não é pesado. Os fatos vão se transcorrendo, nas coisas boas e ruins e a vida vai seguindo como a vida é mesmo. Você trabalhou muito bem os personagens. As personalidades de cada um deles é bem definida. Eles tem características próprias e as suas ações condizem com o que são. Quando se lê, tem-se a impressão de se estar lendo sobre alguém que está na vida real. Acho que essa sensação fica mais forte por você citar datas e acontecimentos históricos. Você fala de lugares que existem, de línguas indígenas, de guerras, de leis, de condição de vida ou da falta dela. As palavras que os personagens usam de acordo com o que são e vivem. Tudo muito verdadeiro. Alguns dados históricos narrados, nos levam a visitar nossas próprias memórias. Em alguns deles, me lembrei de como eu era, o que fazia na época, o que sentia, essas coisas. Achei bonito o trecho que fala sobre o fim do sacerdócio do Padre Miguel. Uma decisão difícil que ele tomou de forma tão clara e consciente, como se precisasse viver outros caminhos pra que pudesse estar bem com ele mesmo e com DEUS. Um amor tão profundo por DEUS. Lindo. O livro todo é gostoso, mas meus capítulos preferidos são o 9 e o 10.  Os dias que eles passam no barco. As pessoas, os sons, a paisagem. O Miguelito, tão esperto, sendo o tradutor. Traduzindo o que sabia e inventando o que precisava. A música alta, as redes próximas umas das outras. O Padre Miguel fazendo os nós. Ele passando mal. Fiquei envolvida dessa vez como fiquei da primeira vez que li. O Miguelito, muito espoleta, muito esperto, inteligente. Esse misticismo sempre presente. Senti ele como sendo uma alma evoluída, dessas que o corpo não traduz e o mundo não comporta. O Padre Miguel, lindo. Sabedor das coisas, conhecedor das almas. Ele é sensível, é bom. Ele é sofisticado e simples ao mesmo tempo. Tem todo conteúdo, inteligência, estudo, vivência, cuidado com o outro. Mas é simples no ser, na percepção, nos sentimentos. Ele é um potinho que transborda. O cuidado dele com o neto, é perfeito. Ele conhece, respeita e cuida pra que o Miguelito vá abrindo a vida a seu modo, com o que ele traz dentro dele. A Mariana, gostei dela também. Dr Cintra. A tia, o  Padre Fontanelli, a Manuela... Só me angustiei um pouquinho com o Dr. Cintra por ele não ter ido correndo dizer ao avô que o menino estava bem. Ainda foi ao banheiro, falou com não sei quem. Nossa! Mas foi só. O final, amei como amei todo livro. Flavio, o livro é muito rico. As idéias, os diálogos. Tem muita coisa nele. Algumas eu li e outras eu senti. E ainda é gostoso de ler. É perfeito. Te agradeço muito por ter me mandado. Vou te agradecer uma vida e você não vai saber o quanto gostei.

Beijo.
Obrigada.

Sheila Pacífico"

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Meus Textos

Meus textos. Ou alguns textos. Eles tocam alguns corações e a reflexão que me cabe é a mesma que cabe a um psicólogo. Por onde anda a nossa mente que faz de nós parcialmente o que somos? Na categoria auto-entitulada de escritor, sem periódico, sem saraus, sem clube de leitores e livros, sem exposição e feiras literárias, sem dinamismo algum que me carimbe para o mundo um escritor, que me traria a aura do intelectual cheio de sutilezas porque traduz em palavras o que a sensação sente. Sou escritor para quem eu falo que sou. Uma hora baterá à minha porta esta marca e somente então os louros de reconhecimento virão de muitas partes, principalmente daqueles em que o interesse norteia seus cinismos. Pessoas interesseiras são as mais vulgares. Deus me deu o dom de ser apaixonante com quem convive comigo na minha intimidade por um curto tempo. Ainda que a beleza e a jovialidade seduzam, a nudez revele a alma e neste ponto a alma bem cuidada cria dependência e amor. As pessoas que amam sem a alma sofrem porque está na jovialidade, na superfície, na aparência... Quando alguém nos encontra internamente e nos cativa lá, invertemos todas as nossas certezas do belo. Queremos ser e não mais estar. As pessoas que me aborrecem, por exemplo, querem estar. Faz parte. Meu lado bom é que discernir continua sendo meu forte, das mais importantes virtudes. Sou escritor.

Solidão

Quando a companhia é um efeito para ninguém saber de sua solidão? Me pergunto repentinamente diante de algumas fotos escancaradas, em que a natureza faz parte dos corpos que se queiram juntos. Uma reflexão muito perigosa porque foto hoje é mais do que lembranca de um momento. Foto hoje é para provar que teve aquele momento, de preferência acompanhado.

O cinismo anda de par com muitas fotos. E para ser bem sarcástico, existe um buraco que todos cavamos. Da pessoa cínica, este buraco é o mais profundo. Sim. Ela cava para depois afundar nele, totalmente. Raramente os pés no chão são a virtude das pessoas. E ser cínico é fingir que o que vive, o que pensa, o que faz para os outros, é verdade, faz parte de sua personalidade. Nãããão! O cínico é um artista para manipular, bem maquiavélicamente...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Férias da Escrita

Um pouco de férias da escrita. Não férias no sentido de parar de escrever. É aquela sensação boa de retomar os princípios de muitas leituras que lapidam a mente do escritor. Coisa ao mesmo tempo acadêmica e pessoal. Escrever uma reflexão em alguns minutos é bem possível, e não acontece o mesmo com a leitura que exige muitas horas ao longo de dias e semanas. E uma relativa dica: quando queremos algo, temos que tapar principalmente os ouvidos e ir atrás. Quanto mais cansado e desmotivado parecer no caminho é porque estamos gastando boas energias nele, o tal "correr atrás de um sonho" que traduz melhor. Prefiro dizer que nos dedicamos de verdade para que as coisas de fato aconteçam como queremos. Depois de 13 anos de ausência dos estudos, eu começo meu mestrado em Literatura e Crítica Literária pela PUC, e vou analisar uma obra de Mchado de Assis. Vou retormar meus estudos na língua alemã. Publicar "Miguelito: Memórias" e terminar um romance chamado "O Protesto". Uma meta de ler uns 50 livros este ano, meta razoável. Não há orgulho em nada disto. Eu agradeço por isto. Torço para que as pessoas se envolvam em projetos de vida que as tirem da rotina de trabalhar, pagar contas, gastar seus tempos com as vidas fora delas apenas. Há muita vida aqui dentro sempre (Lulu Santos). Gastronomia, pintar, instrumento musical, esportes, turismo, teatro, leitura são algumas inspirações dentre dezenas de outras para fazer existir em nossa mente e corpo. Que as mudaças, caso sejam uma necessidade emocional, venham mesmo em forma de dedicação. A distração é boa. Gasta-se nada de energia na distração. É disto que falo. Gastar nossa energia para algo interno e poder viver sem depender de relacionamentos humanos para escapar da solidão. Uma hora, qualquer companhia pode nos mostrar ao lado dela que estamos afundados na solidão. Nos sentiremos piores do que merda no vaso. Poucas coisas doem tanto. Queria dizer mais, mas sei que a maioria de quem lê para no segundo parágrafo e os interessados persistem. A quem persistiu, aqui posso desejar: realize seus pequenos sonhos pessoais este ano. Para isto, vai lá e comece. E principalmente não ouçam as vozes negativas, inclusive as internas que são as mais perigosas. Vai valer à pena...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Alguma Vez o Amor

Alguma vez o amor já terminou em seu coração? Provavelmente não. O que ocorre é que amores aparecem aos montes e se sobrepõem. Ainda mais amores espirituais em que a alma gosta demais da presença daquela outra alma. E não tem idade nem beleza. Há vontade de estar junto e ser lembrado constantemente para não ser esquecido. Uma foto. Um áudio. Uma canção. Um verso. Uma palavra. Admito, como alma aberta, que meu coração vive agora de um incipiente amor. E sem que nossas almas se comuniquem com ternura e afeto, ainda que se busquem. Parece que não há atropelo. Nem sei quanto tempo durará. Porém, ele, este amor, me parece tão meigo. Eu tenho para dar o que a pessoa quer receber e eu quero dar o que eu tenho e ela quer receber de mim o que eu tenho, como um vício positivo. Uma comunhão. Parece sim uma troca. Eu gosto deste sentimento. Gosto de sentir, aliás, coisas boas. Há momentos que saber os atalhos da alma causa um amor mais arrebatador do que a beleza e a fortuna. Somos humanos. Carentes de essências para viver acolhidos em nós mesmos. Podemos comprar o mundo e olhar e ter as perfeições mais lindíssimas. Quem, no entanto, aguenta a solidão na escuridão de um quarto sem uma troca de essência? Neste momento, considera-se a essência e é neste momento também que as almas tem valor. É bom gostar. Sentimento que se renova e nos renova. Eu estou gostando, por hora, de uma simples ideia apenas. Uma ideia em minha alma. E sei que está gostando de mim. Faz parte. A vida caminha assim. Desde que haja bontade, eu creio, seja válido.

Segundos Ao Despertar do Sono

Dormir e acordar. E no sono uma outra vida se inicia. Uma vida virtual? Neurologicamente, parece que não. O sono traz mais do que benefícios à nossa mente do que o nosso estado de vigília. No sono, o cérebro permanece da mesma forma ativo. O que descansa em nós são os sentidos como ver, cheirar, degustar, ouvir e tocar. Eu me refiro à parte fisiológica disto tudo. Lá em nossos neurônios tudo isto ainda existe com a precisão que os sonhos trazem. E quero falar justamente de sonho.

Um amigo me perguntou qual sensação que eu tinha quando acordava. A sensação inicial. Não hesitei e falei: paz. Falo seriamente. Porém, e já disse, por alguns anos, cada despertar para mim era uma tortura. De modo trágico, falava para mim mesmo "acordei?", e em seguida uma sensação de dor invadia minha mente, uma dor esquisita e emocional que somente parava quando retornava a dormir. Meu período de depressão: dos 18 aos 22. Foi cruel.

Por este motivo meu despertar envolve paz hoje em dia. Machado de Assis diz que "somente no meio da guerra que melhor se apreciam os benefícios da paz". Estive em conflito no passado; sei da paz emocional que envolve meu presente, como da guerra do passado.

Um dos sintomas de como anda nossa vida emocional é a natureza de como acordamos. Os segundos iniciais dizem muito. Não falo de acordar por causa de uma explosão, ou um grito, ou um pesadelo, ou vontade de urinar. Falo abrir os olhos em um dia normal. O despertador do celular toca (o meu é Waterworld), seus olhos se abrem calmamente e o mundo dos sentidos o recobrem nas mesmas sensações. Os segundos dar-nos-ão os sinais. Paz ou desconforto na alma? No meu caso é o agradecido preenchimento de paz.

Não implica, porém, que assim que eu me lembre do mundo em que vivo, dos problemas que tenho, dos tantos conflitos externos contra o quais tenho que me indispor, não me tornam o espírito aborrecido. Respiro mundo. Recordo-me da paz ao despertar e, como disse, agradeço pela saúde de meus sonos e descanso.

Sou um apaixonado pelo inconsciente. Constantemente saltam ideias de lá para meu consciente e aproveito as palavras que tenho para materializá-las. Um bom sono cheio de sonhos (inclusive pesadelos!) é ótimo termômetro para medir como anda nosso inconsciente. Apenas uma intuição. Acho que tanto meu período de depressão em minha vida quanto o período de paz estão ligados à minha relação com o entendimento de meu inconsciente. Ele é meu parceiro e nos damos bem. Eu o respeito. Deixo-o liberto para me revelar as verdades que constituem minha essência. Não consigo enxergar verdadeira felicidade, senão através da libertação de nosso inconsciente, afinal, é nele que moram os traumas, os recalques, as repressões, os toques, as neuroses e semelhantes formas de desacordo com a vida. Gosto de dizer "vai por mim". E digo: vão por mim! Reparem e estranhem aquilo que parece automático. Inclusive nos segundos iniciais ao despertar. Vão por mim.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As Pessoas Erram Comigo

As pessoas erram comigo porque acham que eu estou procurando companhia séria, enrolada, carente depois de 15 anos de casado. Dentro de mim não há mais nada a ser preenchido emocionalmente. Meus filhos, meus livros, meus estudos, minhas palestras e trabalho me preenchem muito bem. E, claro, Deus. Somente a carência justificaria querer envolver-se em um relacionamento cheio de prisão e limites aos 41 anos. Nem vou dar mais detalhes. Adoro amar e ser amado. Quem não? Mas somos gerações. Minha vida, em minha vida, entrei já na terceira geração da existência humana. Acho que cada qual tem que saber seu lugar neste mundo, nesta sociedade, em seu momento e tempo de vida. Viver e realizar. E há pessoas que literalmente perdem toda uma existência tentando conquistar um amor que não a quer, ou ser amada... Minha crítica é para ampliar o mundo. Um toque e um beijo fazem muita falta em tantos momentos, e vão preencher precisamento algo breve: um momento, e não uma existência. Nada de erro. Agregar sempre. Viver para expandir.