A partir de um certo momento neste aqui e agora, devemos encarar a vida como um tempo único, e não, mais como anos acumulados simbilizados pela idada. A idade é um martelo. Os anos são pregos. Pensar em anos, então, martela todos estes pregos para dentro de nossa cabeça, insinuando aquilo que na verdade não somos: idade.
Todos os anos baterão em nossa porta emocional amigos e parentes congratulando-nos pelo ciclo que remete aos ciclos solares sobre a Terra. Chama-se a isto um ano completo.
É hábito, tradição, até ritualístico. Há suas razões de ser, claro. Mas, como disse, melhor mesmo deixar a cara limpa com o tempo contínuo (temos tempo!) do que focar os anos racionais das leis newtonianas gravitacionais do sol sobre o qual a Terra gira. Sendo o ano um ciclo do sol sobre a Terra para a astro-física, o que resta-nos então? Respondo. O tempo contínuo.
É comum à juventude fragmentar-se. Estimulada pelos pais desde o primeiro mês de vida, as idades como 10, 15, 18, 20, 25 são basilares na nossa existência. E cada momento carrega a sua força psicológica e eventual simbolismo social e pessoal.
O mundo do tempo presente é infinito aos nossos jovens, como foi para nós. Mesmo porque, de um modo geral, na juventude, que obrigação eles tem senão o da descoberta do olhar? O novo seduz facilmente. O novo é sempre ser. Um eterno ser. Jamais um estar. Sou feliz traduz uma perenidade; estar feliz, uma transitoriedade. Sou novo é diferente de estou novo.
Não é por outro motivo, portanto, que refletir a respeito do tempo seja mais adequado do que pensar em anos de vida acumulados.
"Qual a sua idade?", perguntam-me.
"Estou com 41.", respondo, quando poderia me permitir falar: sou um tempo contínuo. Neste tempo eu me realizo e busco o que tenho que buscar.
Porém, compromissos como IPVA, Imposto de Renda, Natal, Ano Novo, Férias etc., nos condicionam a viver em ciclos: ciclos anuais. Aí vem o "estou velho", "estou com idade", "estou com 40, 41, 42, 43...".
Dá para substituir por um "sou um tempo contínuo, e neste tempo contínuo, eu sei muito bem o que pretendo, quero, posso ser ou não posso mais." Ser um tempo contínuo ajuda sobremaneira a contunuar e realizar. Muito melhor do que estar com idade. Estamos em nosso tempo.
Para terminar. Para terminar a ideia de recomeçar deve ser uma virtude por uma razão simples (eu disse há pouco): nada seduz tanto nossa mente do que o novo. Recomeçar estando com x idade vai angustiar? Pode ser. Mas recomeçar sendo um tempo contínui, com o universo aberto, cheio de energia potencial é algo sublime. Somos um tempo. Até o momento em que estejamos todos, inevitavelmente fora dele. E um dos casos é preocupados em pagar todos os impostos anuais. Inexoravelmente.
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