quarta-feira, 6 de abril de 2016

Saber Sofrer a Dor

Sobre o título de um pequeno artigo "Assertividade: não ser Obrigada e não Obrigar Ninguém", uma amiga disse "simplesmente aceite a decisão do outro". Então eu comentei:

"Quando for definifinito, sim. Aceite a decisão do outro." E ela retrucou em seguida:

"Aceitar sempre. Definitivo ou não. Mas por que você diz isto?", e iniciei uma pequena troca com ela:

"O momento definitivo de aceitar a decisão do outro (numa separação) é quando já houve muitos precedentes que abalaram a relação. Há um cansaço emocional. O presente desgastado. Saudades fortes do que se foi. E o futuro, aquela sensação de solidão. Por mais que machuque, este é o real fim definitivo. É aceitar. Sofrer suas dores. Reciprocamente."

Ela responde:

"Devemos aceitar as decisões dos amigos, namorados, maridos, pai, mãe, e ele mesmo. Não podemos obrigar ninguém a nada nem eles a nós."

Eu replico:

"Vale à pena insistir, o que quer dizer perdoar e acreditar que as coisas vão melhorar."

Ela me lembra:

"Leia o texto, Flavio Notaroberto.
É sobre obrigações que cobramos ou cedemos. Nossa postura diante das decisões ou nossas decisões por posturas alheias. Mais ou menos isso. Quando eu estudar psicologia explico melhor...

E eu concluí:

"Li o texto. É breve. É bem curto. Mas por isto mesmo, muito incompleto. Olha só. Somos assertivos, isto é, nos posicionamos quase que inexoravelmente (cabeça dura) sobre questões bem importantes para nós. Sei lá. Aborto. Liberação da maconha. Deus. Filhos. Ser ou não carnívoro. Ser vegano. A assertividade está em nós sobre diferentes realidades. Você possui valores internos com os quais não negocia e nem abre mão. Por isto que eu disse 'quando for definitivo'. Há algo nobre no sofrimento e na dor que se chama 'maturidade' e 'limites emocionais': resiliência, resignação, conformidade, estoicismo. Somos quase que inabaláveis ao lado de quem e tendo quem amamos conosco. Esta força poderosa do amor e da segurança esvai-se ao rompimento desta união. E aí que entra a virtude de saber que somos partes emocionais. Nunca um todo. Maturidade de saber sofrer a dor: somos partes emocionais e nunca um todo completo e auto-suficiente. Acho bonito quem sabe sofrer este tipo de dor como parte da existência."

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