Olhe para mim, eu imploro.
Busque em meu olhar
O sacrifício de amar.
Já nada sinto no mundo.
A paz que me houve
Vem do sono quando não
Sonho com você para mim.
Desperto de um pesadelo.
Onde está? Estava tão próxima.
Eu existo. Repare-me.
Sou silecioso por fora.
Aqui dentro, coração mil,
Despedaçado, insano.
Fora vejo minha decadência.
Dentro, nado na escuridão.
Nem sei qual mal à vida eu fiz.
Mal de amar? De querer?
Quero tão pouco para o mundo.
O mundo não a quer.
Somente eu, e como padeço.
Quero-a muito para mim.
Quero você.
O que é existir sem ter a si?
Você me é.
Eu a si sou.
Minha existência está em você.
Nada me consola ao sol livre.
Nada de incomoda à chuva fria.
Sou nada sem você.
Tudo seria com você.
Sei que amar demais leva ao meu estado.
Envergonhado, porém, de não a amar muito, infinitamente mais.
Peço a Deus que não a roube de mim,
Não roube de mim o que não-sou.
Amo-a sem nada ter.
Amor puro, e sofro como prêmio.
Prêmio de amar, e amar, e amar...
Um dia nos encontremos.
Um dia, na fé, olhará para mim.
Flávio Notaroberto
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