Renovar Outros Amores
Vivia sofrendo de amar
Que nunca em mim chegaria
O júbilo fiel p'ra sorrir.
Recluso fiquei tantos anos,
De noite sozinho e de dia,
Os olhos nos livros talvez
Eram minha única morada.
Orgulho no chão destruído,
Minh'alma de nada em nada.
Foi quando em alto desespero,
Deitei-me pronto a morrer.
Então um livro eu alcancei.
Perto aos olhos pus a folhear.
Camões, estranho e conhecido,
Sonetos da dor que sentia.
"Não sofro só", a mim dizia.
Mesmo assim sem provar do ânimo,
Mesmo da ausência de alegria,
Foi por ela, pela jovem poesia,
Que aprendi na arte a salvação.
Dela não mais me apartei.
Dela renovei outros amores.
Flavio Notaroberto
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