Mentira
Minta para mim,
E faça dos seus segredos minha penúria.
Meus castelhos foram fantasias?
É que cada aliecerce foram palavras suas,
Que hoje as vejo duras, afiadas, cortantes,
E na alma brincam animadas à luz de minhas tristezas.
Minta sempre para mim, porque a verdade, silenciada, não machuca se a mentira tem mais beleza.
Da mentira se fazem amores impossíveis de serem cridos.
Eu cri, e não por inocência, já que hoje não rio, e levo apenas certezas de estar respirando algo intragável como a minha própria existência.
Minta, minta, sempre, reine na mentira.
Ela pode até ser o bem que a verdade não aguenta.
Deixar de saber para não sofrer,
E sofrer em dobro ao saber, o que era segredo da verdade.
Eu menti para mim ao crer em não verdades suas e ainda me iludo, porque a ilusão caminha com a certeza da vida.
Quero hoje, na verdade, a ilusão, e queria aquela mentira como verdade eterna.
A morte para quem fica é da mesma natureza para as palavras sem lastro com a verdade.
Eu acreditei.
Sofro hoje.
Creio nesto sofrimento, porque sei que é verdade, ainda que eu queira sonho daqueles bem mentirosos como do amor eterno.
Mas não foi por falta de aviso, já que o poeta nos ensina que todo amor é eterno enquanto dura.
Já a mentira e eterna sempre.
Minta sempre.
(Flávio Notaroberto)
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