domingo, 4 de janeiro de 2015

Ir...

Uma das cenas mais comuns e simbólicas em filmes românticos bem antigos era aquela do casal de mãos dadas caminhando de costas em direção ao nada até o momento em que a imagem deles ficasse bem pequena como se entrasse em um túnel, e aí eu especulo: túnel do tempo invisível. Em seguida: FIM em letras garrafais.

Ir.

Este era o ir do cinema ainda em preto e branco e mudo. Ir juntos para o nada. Representava também o literal fim da história. Evidentemente, Final Feliz pelas mãos dadas...

Quando na nossa vida real nós mesmos vamos, ou quando testemunhamos ir, a cena de ir de costas é simbólica. Às vezes olhamos; às vezes somos olhados. Quando não olhamos, imaginamos. A imaginação pode ser de alívio ou de desespero. Raramente é de indiferença. Para quem vai, resta ou olhar para trás ou ir firme, com todas as vicissitudes sentimentais que o ir provoca em seu silêncio.

O drama da vida de hoje (drama em grego é ação) não possui espaço para o Final Feliz dos filmes em preto e branco. Não que não exista a felicidade. É que nossos dramas, nossas ações indo para o infinito de costas não tem o FIM porque não é o fim. Não deve ser ao menos. Temos consciência de que nossa caminhada persistirá. E neste ir a felicidade é tão possível quanto a desilusão compartilhada com a esperança. Tudo junto. Não somos mais ingênuos. Nossa ternura dura um olhar. Ainda que a dureza e a aspereza persista mais ou parece persistir mais tempo.

Gosto da foto abaixo pelo ir. Esta cena me trouxe à cabeça alguns finais dos filmes de Charles Chaplin. Ir. De costas. O fim feliz. Como disse, em nossa vida atual, nosso imaginário crê na ida. No entanto, em todas as idas. Nossa consciência tem certeza de que cada uma delas é apenas um dos nossos momentos.

O ir será um ir constante, portanto. Ir e ir e ir e ir... A volta? Encare como uma outra ida. Apenas poeticamente: o lirismo de todo ir...

sábado, 3 de janeiro de 2015

Ler...

Ler implica tanta coisa. Primeiro de tudo: isolamento. Há um mundo de pessoas à sua volta, seu mundo, porém, está naquele momento sendo construído com outras sensações que são verdades apenas para você. Portanto, a primeira e fundamental sobre: ler é isolar-se.

Claro que me refiro a ler palavra, palavra escrita. Porque podemos ler olhares, ler pessoas, ler a mão, ler o fururo, ler gestos corporais porque abusamos da leitura que nossa mente cria; podemos ler intenções, ler o contrário, ler inclusive o inconsciente nos atos falhos, nos movimentos involuntários, nos recalques. Aliás, ler inconscientes é uma das minhas virtudes.

Voltando à palavra, já disse que em meus anos de universidade, eu lia 12 horas por dia. Sobretudo à noite. Resgatar este hábito me traz à mente um belo sentimento de fortes valores como o Belo, a Poesia, a Arte, a Filosofia, a Reflexão, a Essência. No dia de hoje, além de tudo o que um pai, filho, irmão, escritor, professor e agora blogueiro etc. deve fazer no seu dia-a-dia, sobraram-me minhas cinco horas de leitura.

E falando em ler, um capítulo fascinante de "Eros e Pathos" que acabei de terminar sobre o Poder foi sublime. Havia partes realmente gratificantes. Às até vezes compartilho...

Elogio da Loucura

Este livro da foto, eu o comprei em 1998. Sua primeira edição é de 1508. São 490 anos.

E em 2015, retomo sua leitura para me deliciar com o jeito cômico, engraçado, ridículo, crítico de como Erasmo escreve tão seriamente sobre a Loucura.

Hoje falar sobre loucura cansa um pouco. Causa tédio. A loucura de hoje foge dos padrões da do passado. No passado o louco poderia ser um possuído ou um louco poderia ser a fonte de risos. Hoje o louco é realmente louco.

A sociedade mudou. E mudou exatamente tudo. E a maior mudança é o divertir-se. Divertir-se exige para a maioria ocupar o tempo envolvido, cercado, envolto... Não de mato, não de mar, não de rios, lagos, não de vento na cara, não de morro ou deserto, não de ausência de tudo, restando somente seu eu... Mas cercado de lojas, restaurantes, pessoas, carros, distrações fora de nós, onde não mais nos reconhecemos, não sabemos como somos, e a pergunta "quem eu sou?" machucará profundamente diante de uma futura e inevitável ausência de tudo.

Este livro da foto é curtinho. Engraçado. Dá vontade de reler assim que você o termina. Ele é cheio de personagena de mitologias.

Há dias em que se coloca um copo de whisky na mão, um charuto cubano na outra, bebe-se e fuma o ar amargo para a liberdade de estar em paz. O bom mesmo, no entanto, é poder fazer tudo isto ao mesmo tempo: beber, charutar, ler, escrever, cercado de mar, ar, pessoas, lojas, vida e viver sua alma tudo isto, em seu coração porque ele tem o elemento mãe maior do que o Homem.

A loucura cabe aos homens; o amor às mães. Me sinto mãe por isto.

Afinal também, no fundo, não existe mais loucura. Senão pessoas com sérios problemas neurológicos ou psicológicos, o que já é uma outra história...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Felicidade

A história A Felicidade pode ajudar suas decisões. Não fui eu quem a escreveu. Foi Machado de Assis. É bem curtinha. E o início dela é caprichosamente descritivo. Um vagabundo, daqueles para quem o trabalho é um luxo desnecessário, em um bar, um restaurante. Abre o jornal e lê nos classificados: mulher viúva, jovem, esbelta e rica procura homem de meia idade para relacionamento sério e futuro casamento. Desta forma assustadoramente direta.

Com endereço, dia e hora do encontro, na própria casa dela. Ele vai. Fala do anúncio para a viuva. Era tudo verdade. Marcam para se ver em duas semanas para oficializar o relacionamento. Ele, então com medo, não aparece. Uma semana depois muda de ideia. Volta. Bate na porta. A jovem e linda viúva rica, malas prontas, o atende na porta e fala:

- Pessoas como você são fracas, destinadas a serem nada no mundo. A felicidade bateu à sua porta e você não abriu. Contente-se com o fraco e covarde que é o seu destino.

Em resumo, ser feliz tem estes caminhos das dúvidas. Se o coração realmente sente que há verdade, não hesite. Abra a porta. Pode ser que a felicidade dure alguns anos. E isto não será apenas alguns anos. Serão nossas memórias com as quais nos deliciaremos em nossa velhice antes do Alzheimer chegar.

Toc. Toc. Toc.

Pergunte quem é, mas abra...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Por Maria Ilcileide

"Li o livro Não é Conto nem Fábula, Lenda ou Mito. Adorei. É muito fácil de ler e entender. São ótimas as reflexões para o dia-a-dia. Dizem que mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Refiro me a isso porque te acho um vencedor, pois dá para perceber que você passou por problemas muito sérios como depressão. Obrigada por compartilhar isso com a gente. (...) Parabéns, professor. Como o rio não pode voltar atrás, você pode apenas seguir em frente. Feliz Ano Novo. Que você tenha muito sucesso sempre. Gosto muito de você. Vou torcer sempre por você. Deus é contigo! Gostei imensamente do conto sobre mágoa e perdão. Mexeu muito comigo. Acho interessante porque eu não preciso ler seguidamente. Quando quero ler, abro uma página e lá aparece uma bela reflexão."

Diálogo entre Jovens Namorados inocentes

- Lá vai o sol. Com ele o dia.
- Mas que dia?
- O primeiro...
- Do ano?
- O primeiro do seu amanhecer.
- Amanheci triste.
- Algum problema?
- Não. Nenhum.
- Que foi então?
- Tristeza para mim é vida. Amanheci vivo. Nem todos sabem disto.
- Do quê?
- Disto.
- Que tristeza é vida?
- Não. Que amanhecemos.
- Você é poeta ou filósofo?
- Sou o amanhecer.
- Então é triste.
- Não. Sou vida.
- Maluco este diálogo.
- É que lá vai o sol. E quando ele vai me sinto feliz.
- Por quê?
- Porque amanhecerei novamente.
- Não compreendo mais nada.
- Apenas olhe, oras. Apenas olhe.
- Para o sol?
- Não. Para minha boca.
- E...
- E me beija.
- Beijo...
...
...
...
...

2015

Uma breve e pessoal reflexão de 2014.

"Nossa! O que aconteceu, teacher? Lendo muito, viajando bastante, indo a teatros e cinemas! Está escondendo o quê? Está querendo descobri o que interiormente?"

Basicamente foram estas as perguntas com observações sobre mim.

E começo com algo que parece dor. No fundo não é dor. É vida, porque faz parte dela. Eu me separei; minha ex-mulher se separou de mim. E digo que de modo geral estamos muito bem. Minto se afirmar totalmente. E dou fé que a separação tem feito bem para ambos...

Resgatei o que tinha perdido. Com mais idade, maturidade, podendo até arriscar mais. E não pense que virei 2013 pensando em entrar 2015 solteiro.

O bom da vida é que a alegria uma hora acaba e os desafios uma hora chegam. Chegou para mim e para ela este desafio em abril de 2014.

De lá para cá nos respeitamos como pais e como ex. Nunca uma aproximação que não com respeito da nossa nova realidade pessoal.

E este foi particularmente o que marcou este meu ano. Não perdemos nada. Resgatamos nossas liberdades.

Somos ambos cultos que assustam as pessoas; temos ambos formação profissional acadêmica de primeira; sem dizer a mente relativamente aberta para o mundo... O mundo que queríamos viver. E por isto estou fazendo um pouco de minha vida os livros, as viagens, a vida cultural, novas amizades, preservando sempre os filhos. Nossos três filhos.

E você? O que marcou? O que fez de você próximo de sua essência? Meu lema no entanto é: vai lá e faça; não espere. Sua vida vai agradecer, desde que você faça com amor, verdade e a fé para não ferir demais os outros. Nós feridos machucamos muito mais.

Feliz 2015!!!