Este livro da foto, eu o comprei em 1998. Sua primeira edição é de 1508. São 490 anos.
E em 2015, retomo sua leitura para me deliciar com o jeito cômico, engraçado, ridículo, crítico de como Erasmo escreve tão seriamente sobre a Loucura.
Hoje falar sobre loucura cansa um pouco. Causa tédio. A loucura de hoje foge dos padrões da do passado. No passado o louco poderia ser um possuído ou um louco poderia ser a fonte de risos. Hoje o louco é realmente louco.
A sociedade mudou. E mudou exatamente tudo. E a maior mudança é o divertir-se. Divertir-se exige para a maioria ocupar o tempo envolvido, cercado, envolto... Não de mato, não de mar, não de rios, lagos, não de vento na cara, não de morro ou deserto, não de ausência de tudo, restando somente seu eu... Mas cercado de lojas, restaurantes, pessoas, carros, distrações fora de nós, onde não mais nos reconhecemos, não sabemos como somos, e a pergunta "quem eu sou?" machucará profundamente diante de uma futura e inevitável ausência de tudo.
Este livro da foto é curtinho. Engraçado. Dá vontade de reler assim que você o termina. Ele é cheio de personagena de mitologias.
Há dias em que se coloca um copo de whisky na mão, um charuto cubano na outra, bebe-se e fuma o ar amargo para a liberdade de estar em paz. O bom mesmo, no entanto, é poder fazer tudo isto ao mesmo tempo: beber, charutar, ler, escrever, cercado de mar, ar, pessoas, lojas, vida e viver sua alma tudo isto, em seu coração porque ele tem o elemento mãe maior do que o Homem.
A loucura cabe aos homens; o amor às mães. Me sinto mãe por isto.
Afinal também, no fundo, não existe mais loucura. Senão pessoas com sérios problemas neurológicos ou psicológicos, o que já é uma outra história...
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