quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A Ternura

Convenhamos. A ternura encanta qualquer coração. Inclusive a palavra em si pertence à sonoridade de uma poesia: "ternura".

Seria um belo nome de uma flor. Fosse um doce, as ocasiões seriam festas sublimes. Esta palavra nomearia muito bem um best-seller ou uma comédia romântica. Fosse uma personagem mitológica, a mais querida seria e possivelmente a mais afável entre os próprios deuses e herois e humanos. Tudo "Ternura".

Eu amo a ternura. Não digo que seja natural, do tipo quem tem, tem e acabou. Há muito da pessoa alí na ternura.

Mesmo assim, adquirimos o dom de sermos ternos com o tempo. Haja vista as avós, os avôs, e que gastam assustadoramente tanta ternura com os netos. Não se sabe se para reconquistar o amor do filho, ou se por causa da morte que ronda, ou do cansaço e desapego das paixões humanas que escravizaram e insensibilizaram.

A paixão nos torna insensíveis e escravos. Não o contrário. Por isto, os pais dos nossos pais modelam minha primeira perspectiva de ternura. Avós são ternos com os netos.

Há a ternura incondicional da mãe para o filho pequeno; a resposta terna dele para ela. Há a ternura instintiva dos bichinos de estimação com seus donos. E claro dos animais entre si, que podemos chamar de cuidado e não ternura.

Porém, eu amo a ternura do silêncio, que se entrega sem machucar o outro, sem agredir. Uma ternura de gestos, sem o desespero da dependência. Se existe dependêcia, vamos falar de carência. Quero, entretanto, rabiscar e desenhar a ternura do tipo: serei seu, serei sua, somente se você quiser, sem que haja qualquer dúvida do acolhimento terno da paz e do belo na troca igual; cobrarei seu acolhimento se isto lhe trouxer o bem, o bom, o saudável, o bem-estar. Esta ternura...

Não à sedução. Iludir-se para colocar os pés exatamente em que lugar? Caminhar passos alheios por medo da solidão e da carência? Nada disto! Amo a ternura por este motivo. Ela não deixa de ser uma sedução natural, expontânea, e aí sim muito própria da pessoa, que desta forma, sempre se sente amada. Ela seduz sem saber que assim o faz.

Definitivamente não sou terno. Dou-me bem com o Shrek, meu ideal de ternura e do homem que não sou. Nisto cobro meu coração para não deixar seduzir-se (ele não vai!); nem encantar-se (ele não vai!); nem enamorar-se de ilusões (definitivamente não existe tal chance!).

A ternura do silêncio é tudo. Num estado mais avançado (o que eu amo!): um diálogo terno e carinhoso de inconsciente para inconsciente. Existe e é sublime. Existem ideais. A experiencia reflete o que somos e queremos ser. Ser terno. Receber ternura. O resto? Ilusão. Egoísmo. Fraqueza. Um pouco de falta de amor. Carência...

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