O amor bateu em minha porta. Toc. Toc. Toc.
- Pois não?
- Você me procurou...
Verdade. Procurei. Não sabia o que falar. Fiquei buscando palavras. Toda minha história concentrou-se no tempo presente.
- Posso entrar?
Fiquei com medo. O amor geralmente me traz muitas felicidades. Por outro lado não existe amor sem prisão. Não de minha parte. Meu espírito cresce quando eu amo. Agiganto-me na altura dos meus poucos centímetros. Amar para mim seria liberdade. E o medo de aprisionar?
"Mas eu sempre liberto", sussurrei alto.
- Como disse?
- Desculpe. Sussurei alto.
- O que sussurrou?
- Disse para mim mesmo que o amor para mim não é prisão. Eu sempre liberto quem eu amo. Paradoxal.
- Por que acha que eu estou aqui? Meu amor não cabe em qualquer coração. Coube no seu. Você me chamou e vim. Posso entrar?
Eu quis dizer que ele já estava lá dentro.
No fundo os primeiros raios do sol invadiam meu olhar.
- Sou eu quem renasci...
- Como disse, me interrompeu novamente o amor à porta.
- Você está aí fora, mas para mim faz morada em meu coração há muito tempo.
- Eu sei.
- A porta sempre ficará aberta. Não precisa mais bater.
- Eu sei.
- Por que então não entra de uma vez?
- Na verdade, eu não posso. Não ainda. Você também quem me chamou. Perguntei se eu poderia entrar por educação. Afinal, quem ama cuida, de verdade. Eu sei que você quer cuidar de mim como eu preciso.
- Eu quero. Posso?
- Claro que sim!
- ...
- Preciso ir...
- Eu espero você. Ah, e você me ama também?
- Claro que sim!
Enfim, despertei. Não do sonho. Eu não sonhava. Despertei para a porta que continuava aberta. Sabe o que eu fiz? Tirei a chave. Os trincos. E jamais a fechei. Está aberta. Não bata. Entre. Estou esperando...
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