Sempre o amor, que une. Eu tenho medo da carência. Pense em seu coração se o seu sentimento está na carência ou no amor. Ambos fazem as pessoas se aproximarem. Você se aproxima das pessoas por ambos. E elas de você. Ambos fazem as pessoas se entregarem. E na entrega o mundo se revela. Ambos até fragilizam, e prostram, e enfraquecem, e emudecem, e fazem da escravidão um grito de clemência e ajuda. E qual é uma das diferenças entre tantas do amor e da carência, então? Quando confundimos no peito o que sentimos de verdade?
A resposta simples e direta: os planos. No amor planejamos com vontade a vida a dois: sair para coisas pequenas, cuidar realmente na febre da gripe, viajar sabendo do dinheiro contado, morar juntos para crescerem, até às vezes compartilhar a mesma escova, o banheiro porta aberta, o desconforto estomacal com aqueles grunhidos esquisitos como sinfonia, andar feio, descabelado, e sentar para um filme sozinho no Telecine. Infinitas as hipóteses dos planos do amor. No amor visualizamos o outro saindo ou chegando do trabalho. No amor o ciúmes está no cuidar, querer bem, deixar o outro sempre jovem literalmente. Nada no mundo nos jovializa tanto quanto o cuidado do outro sobre nós. Há, porém, quem ama cuidar mais do que qualquer outra coisa. As mães e pais zelosos compreendem. No amor o que impera são, portanto, os planos. Nisto identificamos o amor e quem nos ama e quem amamos.
Carência? O que falar dela? Ela é amiga do vazio e do nada. Buscamos no outro o nosso vazio ou o nosso nada. Não é bom. Isto não é nada bom. Às vezes sinto-me carente e creia: amaria substituir estes momentos por planos. Ah, e admito em meu coração. Algo como "me abraça que logo o nada some e o vazio desaparece". Não vale muito focar na carência.
O que todos buscamos no outro é no fundo o amor. E para ser mais claro, o que todos buscamos no outro são planos compartilhados com as virtudes, os vícios, as santidades e os pecados dentro de cada coração humano.
Sei que o julgamento é um conjunto interno de hipóteses que criamos, principalmente quando estamos envolvidos emocionalmente. Todo julgamento é uma acusação e falta de amor. Não julgamos com a razão, já que julgar é condenar. Há momentos em que as palavras dizem o que devem dizer. E digo Amor e Carência são a mesma coisa, mas com finalidades diferentes. Se eu amo, eu quero planejar minha vida com a pessoa; se eu só estou carente, quero dialogar com meu vazio e meu nada emocional. Eu prefiro amar. Ame. Mesmo porque se você amar a si mesmo, terá sua vida pessoal cheia de planos com as virtudes e os vícios intrínsecos. É natural. Só uma questão mesmo de escolha: escolha amar...
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