terça-feira, 20 de janeiro de 2015

COMPAIXÃO

Notaroberto: A palavra compaixão traduz bem o limite de alguns seres humanos. Compaixão tem a ver com misericórdia, com dó, com pena, com "coitado", "tadinho" etc.

Gosto muito dos sentidos das palavras. Compaixão vem de paixão, e paixão tem a origem em sofrimento. Paixão tem a ver com passivo também, dependente, refém. Uma pessoa apaixonada é passiva, sofre, depende do outro, é digna de dó, de pena, de coitada, de tadinha.

E está aí a dificuldade. Compaixão tem seu oposto na raiva. Não é bom ter raiva no coração. Particularmente, não consigo. Raiva implica vingar-se, desejo inconsciente de vingança. Não me vejo vingativo. Não parece bom. A vingança luta para a frustração, para a derrota, para o arrependimento do outro, prostração, aniquilação, sofrimento etc.

Pessoas felizes aborrecem menos. (Olha as fotos nas mídias sociais que sempre nos lembram disto!) Ficam mais alienadas, verdade. Felicidade é afastar-se de toda preocupação. Toda felicidade suspende a realidade de nós mesmos. Na felicidade não nos reconhecemos bem.

Voltando à palavra compaixão, com ela podemos separar as pessoas. Há pessoas insensíveis, frias, que blindam-se para seguir com a cabeça erguida, sem dó; há pessoas que olham para o mundo e sentem dó, pena, compaixão de todo sofrimento alheio. E há o indiferente que tem a mesma função social da pedra dentro de uma caverna escura.

Ser insensível me parece não ser do ser humano, porém; mas sim de uma sociedade consumista, imediatista, do dinheiro que compra as vontades fora da gente. Como diz Mano Brown: "E quem não quer chegar de Honda preto, em banco de couro, e ter a caminhada escrita em letras de ouro?"

Há quem tem compaixão de quem vive para isto; há quem só pensa nisto e, de modo frio, não tem dó absolutamente de nada. Nada. Parece ser divertido tudo isto. Enriquece a mente. E temos motivos para discutir a realidade.

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