quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Família Bélier

Gosto do simboslimo. O símbolo é um signo com força coletiva, que une um grupo de pessoas. O filme 'A Família Bélier', particularmente, para mim, encantou-me pelos belos símbolos, o que serve para muitos, porque nos símbolos não sentimos o que apenas nos pertence. Nossa mente vive de arquétipos.

Primeiro, Paris. Nunca fui a Paris. Mas mesmo em toda a minha ignorância periférica (cresci na periferia de SP), eu sei que Paris deve ser a cidade que qualquer mulher de bom gosto, para amar a própria vida com orgulho, sempre sentido-se bem e viva, deve conhecer. De preferência na maturidade intelectual, emocional, com perspectivas abertas para ser livre dentro e fora de sua cabeça. E o bacana: Paris é uma cena de uns 5 minutos. Curtinha mesmo.

Outro símbolo forte e caro para mim: a filha. Nossa! Está aí algo que me transcende como ser humano. A filha que canta. Sou pai de três. Por razões íntimas, a filha em uma família me prostra como pai. Nada de detalhes, porém. Milha filha é a minha terceira parte do que sou.

E, por fim, a música. Logo eu que sou analfabeto musical, tenho no coração uma maquininha de fazer dos belos sons sentimentos que deslizam em lágrimas. E vertem abundantemente. Minha alma facilmente dialoga com as sonatas para violoncelo de Bach, ou com a ópera La Traviata, ou sonatas para piano de Chopin ou Beethoven. Imaginem que já comprei um piano para minha filha, violões para os dois e um violino para meu filho.

Como chorei neste filme por estas simbologias. Como disse: símbolos porque são arquétipos e valem para que tem estrutura psicológica para receber.

Vale muito assistir. Como todo filme alternativo, 'A Família Bélier' é uma história simples. Nada de bem contra o mal (maniqueísmo). Nada de sacrifício extremo, provocando lágrimas forçadas. No meu caso chorei pelas simbologias. O início énum nada diante do que assistirá, e vai crescendo... Há uma cena particular com muitos risos; e uma outra cena bem literalmente sensitiva: ah, claro! De um pai surdo, uma garganta, um canto, uma noite... Chorei e gravei o áudio. Para saber tem que ir ver.

Indicaram para mim, indico a todos agora. Por hora vou terminar minha cerveja Paulistânia num simpático restaurante espanhol, Sacho, onde sempre dou uma parada depois dos filmes que assisto aqui na Augusta.

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