Imagine a história que você tem para contar para você mesmo. Não no fim da sua vida. Mas no dia seguinte. Esta história fará de você parte importante do que você é para o mundo dentro de sua cabeça.
Então, apenas isto justifica a pegação desenfreada nas baladas. Dos homens querendo pegar; das mulheres querendo ser pegas. De minha parte? Observo e danço com uma tranquilidade que o corpo exige de um lado para o outro. Solto. Propósito feliz de ser o que sente no tempo e no espaço.
Décadas atrás existia uma maior pureza com o corpo, com a boca, com o toque em nós. Verdade que descobrimos nosso corpo no toque do outro sobre nós. É bom tocar, ser tocado. Na balada, os toques se multiplicam e se perdem, são passageiros que entram e saem. O vazio, por este motivo, persistirá indefinidamente até o próximo toque.
É esquisito. Parece que eles se tornam profissionais para pegar e serem pegas. Nesta divisão sexista. Homens pegam; mulheres são pegas. Cansa um pouco o olhar. E descortina nossa visão machista. Não quero ser machista. Tenho paixão pela harmonia dos desejos. Os meus e o das pessoas. O querer deve ser compartilhado. Não o da conquista nem da sedução. Vontade honesta e recíproca.
Voltando à pegação, o dia seguinte uma história pessoal acaba sendo construída e que de alguma forma parece ser útil e preenche algo na alma. Como um solitário que tapa seus buracos internos na grandeza que considera ao assistir a um filme, ir a um teatro ou mesmo escrever uma reflexão.
Fui uma vez a esta balada. Acompanhado. É bom. Gostei sim. Desta vez fui sozinho mesmo. Bebi. Cantei. Dancei. Imagine quantas obrigações temos! Quando quero, eu vou e faço. No mínimo, posso não gostar. E no fundo a experiência de estar sozinho (sem conhecidos) cercado de pessoas (ou todas) que tem um conhecido para servir de apoio emocional e tirar o peso da solidão, esta experiência vai aos poucos sendo divisor de águas e fortalece muito o seu emocional. Como, por exemplo, início de festa, e ficamos tímidos pela formalidade, e término de festa, satisfeito pela liberdade e às vezes libertinagem.
Definitivamente estou no mundo e agradeço estar. Mas o mundo não me pertence e nem bocas, mãos, sedução efêmera alheias. Domingo que vem farei trilha. A natureza e seus toques em meu corpo me permitem ser mais o que quero. Já na balada, deve dar uma deprê no dia seguinte. Ser tocado sem sentir sua essência: no mínimo constrangedor; no máximo, desespero.
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