Comecei aulas hoje em Maresias, na escola municipal, para alunos do sétimo ano. No intervalo, um daquelea jovens bem irreverentes e expontâneos, me disse:
- Professor, o senhor parece um motorista de ônibus.
Claro que eu adoro. Adoro parecer. Prefiro confundir até para ter paz. Neste caso, não confundi. Parece um motorista de ônibus, ou sou semelhante ao motorista deles. Bem, antes eu era chamado de Johnny De Vitto.
segunda-feira, 5 de março de 2018
Motorista de ônibus
domingo, 4 de março de 2018
Idade para recolher-se
Não há idade para amar. Mas há idade para recolher-se cedo na cama. Do pessimismo ao otimismo, amar e dormir cedo não se excluem, mas trazem um pouco de pessimismo, já que subentendem-se a ausência, ou a presenca apenas de nós mesmos. Soa como o fim, fim da vida. Ao fim da vida, o pessimista vencerá. Velando ou levado, apontará o dedo insistindo para nós "eu sabia!" Enquanto estamos por aqui, por que não deixar as circunstâncias ao menos tentarem? Este dias disse a alguém que todos os bilionários, milionários, gente famosa e com qualquer dose e sucesso, encontrou o elemento sorte, que foi determinante. Me vêm à mente as palavras dos Racionais "inteligência e personalidade, mofando atrás de uma grade." A cancão é Eu tô Ouvindo Alguém me Chama. Há tantos gênios escondidos, muitas vezes entregues a um vício, ou à paz interior, ou à recusa de ser além. Está por aí, e não teve aquele elemento sorte que o tirou da obscuridade no momento em que ele sairia traquilamente. O Zeca Pagodinho me encantou recentemente. Disse ele que o sucesso passou longe de sua cabeça e que não quis em momento algum perder sua liberdade. Endireitou-se um pouco quando percebeu que havia pessoas que dependiam dele para trabalhar. Assim, equilibrou-se entre a fama e a liberdade.
sábado, 3 de março de 2018
A mais fraca
"A mais fraca das duas espécies seria a primeira a pagar tributo à natureza; a mais ativa e vigorosa teria a vida preservda."
Joseph Townshend
Perda da comunicação
Há certo momento na vida em que perdemos nossa capacidade de comunicação... com os humanos.
Não falo para quem as palavras são sempre iguais.
Falo a quem o universo sensitivo transcende os limites do que as palavras têm a dizer.
Falo à arte, à filosofia, ao saber, à incansável busca de alegrar-se por existir temporariamente.
Falo resignado.
Deixo o pensamento solto, mas não perdido.
Deixo a alma liberta, mas não inconsequente.
Deixo os sentidos brigarem entre si... ou melhor, acomodarem-se intuitivamente.
Esta minha incomunicacão com a humanidade.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
À Lica
"Um dia falei de meu amor a ela,
Não em lágrimas, eu me contive.
Nem dou nomes ao horror que tive,
De sofrer tanto, alma vaga,
Dilacerada, refém, perdida.
Ela nada fez, porque nada soube,
Sem saber do mal de quem ama
Solitário em sua própria angústia,
De nem traduzir o caos em palavras,
E o tempo perdido do absoluto vazio,
Que eu me via ao espelho, madrugada.
Minha alma aflita, desnorteada.
Não mais sentirei e nunca mais senti.
O amor partiu-me e parti sem nada.
Se um dia morri em vida no amor,
Foi o amor morto que me fez sorrir,
Voltar a sorrir pelos campos e flores,
Céu, morros, ventos e mar infindo.
Dei-me a sofrer então o permitido,
Sem mágoa, rancor e odiado ódio,
Que o primeiro entristece a alma,
Que o segundo vinga a discórdia,
Que o terceiro mata a vida abandonada.
Por amar já fiz loucuras abertas,
Vergonhas fora da razão pueril.
Ela sabe que amei, tonto que era,
Ela vive parte em meu coração.
Tenho aqui comigo a foto dela.
Que gostoso na segurança
Das memórias daqueles tormentos,
Reviver de longe os sofrimentos.
Memórias sobrepõem-se a memórias.
E o que busco acho apenas na ideia.
Amar hoje tornou-se sério negócio,
E sofrer não mais pede a minha alma.
Trocar a vida passada gloriosa,
De quem de amor morreu uma vez
E vivo retornou das cinzas espantosas,
Não vale se o presente não for a rosa
Bela, linda, formosa, delicada
Para resguardar minha doce poesia.
Digo em versos, soltos, sem rima,
Digo sempre e quero eternamente.
Lia muito, meu amor, lia constante.
Cada verso era uma luz ausente.
Lia claro os contornos escuros
Cada vez seus lábios sorridentes.
Li hoje seus olhos sempre belos,
Calientes, belos, brilho intenso.
Se a ponta do passado trago agora
É que agora sinto meu presente
E os anos que tantos se passaram
Me animam em forma de presente
Um dia poder, sozinho, ter amado-a.
Sem nunca seus lábios ter beijado.
Assim, obrigado, inspirado... amante.
(Flavio Notaroberto)
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Poema Não Mais
Não Mais
Não mais aquele encardido cheiro
Amargo do dessabor insosso.
Lágrimas escorriam, deslisavam
Verdades, e traziam palavras soltas
A um mar particular de engodos.
Tive ilusões, e tive internas fúrias
Dos beijos, dos braços e abraços,
Pernas soltas, envoltas, cruzadas,
Ao ar bêbadas, sacudidas, trêmulas
Tudo passou ao sonho de nada.
A esperança única envergonhou-me.
A condição mortal sem eternidade.
Foi o tempo, do meu, nosso tempo
Perdido, que, se resta algo, saudade
Evaporou-se logo, longe, remoto.
Vivo melhor assim, castigando a dor
Que não sei sentir em mim deveras.
A ausência perene, como se nunca,
Nem nada, nem palavras, lágrimas
Cruzadas, porque em mim, só em mim.
Vivo o que me faz sempre amado.
No meu mundo próprio abandonado.
Quem ama a si, ama a parte boa
Da vida que esvai sombria e calada.
Nunca, morte em vida, porém, desistida.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Ramachandran
"This boundary between seeing and imagining has always proved ilusive in neurology. Perhaps synesthesia would help resolve the distiction between them."
V. S. Ramachandran