Não comece.
Fosse para defini-la,
Não comece.
Ela quer que comece,
Sem fim.
For para começar,
For para brincar
Sem graça alguma,
Não comece.
Brincar de iludir,
Não comece.
For para jogar
Dados soltos,
Sem jogo,
Não comece.
For para ir sem nunca,
Nunca ficar,
Por que
Começar?
Não comece!
For para sonhar,
Que fere sem necessitar,
Por quê?
Não, comece
Agora a deixar p'ra lá.
Comece sem olhar,
Comece sem tocar,
Comece sem falar,
Comece sem envolver,
Comece sem encantar,
Comece sem começar.
Ela quer que comece
Um sorriso sincero
De sorrir acolhedor.
Acolher dor?
"Pode ser", ela pensa.
Mas não se fala em dor.
Ela dança,
E quem dança nunca,
Nunca para,
Porque a alma dança
Para sempre,
Anestesia dores,
Que começaram um dia.
Ela dança no olhar,
Nos lábios, sempre.
For para começar,
Vá com ela,
Somente, e quase apenas
Ir com ela no ritmo
Que não ilude, não confunde,
Nem aprisiona.
Não comece a tirar,
A tirar a liberdade,
Que nunca ama.
É forte começar.
Nem comece o que
Não vai durar.
Nem comece a amar.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Eu gosto tanto poema
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Dialogo amo voce
- Eu amo você.
- Desculpe-me. Eu também amo você.
- E?
- E quando duas pessoas se amam não há outra coisa, senão serem felizes. Aceita?
- O quê?
- Ser feliz comigo?
- Sim.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Casal briga
Estava indo treinar e vi uma daquelas cenas de conflito romântico, que parte meu coração. Um casal no ponto de ônibus. Ambos boa aparência, nem jovens, nem velhos, que formavam um belo casal. Um stress qualquer os acompanhava e ele parecia querer partir para SP. Ele de pé com, mochila nas costas. Ela sentada numa madeira atravessada, quase em silêncio, pernas cruzadas, dedos noa dentes. Ele abria as mãos, argumentava, andava em curtos passos. Ela tentava responder algo, e se via para mim o olhar dela refém do amor romântico, e o jeito dele, que também parecia amar, mas não queria ceder. Dizia que ia embora, e a mochila era a verdade de sua intenção. A espera dele pelo ônibus soava a ela palavras devastadoras para a sua alma. Eu creio que toda separação é uma incognita cheia de dores e angústia. Eu andava de bicicleta pela rodovia e testemunhei a cena por alguns segundos. Doeu meu coração, como quem vé um filme triste. O amor nunca deve ser em hipótese alguma chantagista, porque é optar pela crueldade. Eu o achei cruel demais. Falo porque já vivi estas coisas na pele, e só observo a sensação. Uns 40 metros adiante, porém, eu olhei para trás e eles atravessavam a rodovia. Juntos. Encheu-me a esperança a mente. Eu imaginava-a sentada naquela surrada madeira do ponto de ônibus, vendo-o entrar no ônibus e partir. Ela amando-o, sem poder sobre o desejo dele. Ele escolhendo deixar alguém que se importava por ele, mais por uma birra e casmurrice do que porque seu coração sabia ser o fim. Saber o fim é igualmente sofrido, mas justo e necessário. Sei que em qualquer perda se aprende. Sei, mas podemos aprender sem a perda. Podemos ver e aprender. Dizem que sábio é quem aprende com as experiências dos mais velhos. Por outro lado, viver suas próprias é o sal da terra neste mundo. Imagino-os agora à noite juntos, sem briga, em harmonia, um ao lado do outro, como ressaca emocional do que eles não desejavam. Eu desejo a eles esta paz. Hoje li um conto para os alunos cujo eixo era "a parte mais forte de uma relação sempre tem que aprender a ceder": pai e filho, professor e aluno, adulto e criança. Não importa. O lado mais forte de uma relação tem que ser mais equilibrado. Num relacionamento romântico o difícil é o equilíbrio. Ceder demais é suicídio emocional e possivelmente ser escravo do outro. Não ceder nunca é egoísmo e a vida pode ser eterno conflito. Onde está o ponto de equilíbrio? Tenho a resposta para mim. E para aquele casal? E para todas as demais pessoas? São reflexões. Mesmo assim, a cena daquele casal vai permanecer comigo quase que para sempre, porque ao que tudo indica ser refém do amor é perder-se como ambos estavam aparentemente perdidos. Ao menos são as minhas impressões. De repente são apenas irmãos, ou amigos etc. Erradas ou não, fiquei feliz de vê-los atravessando a rua em busca da reconciliação. Atravessar a rua é uma ação. Se eu estiver correto era tudo o que ambos queriam.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Mentira em arte
Toc. Toc.
- Quem é?
- É a mentira em forma de arte.
- O que você quer?
- Distorcer a realidade.
- Por quê?
- As pessoas distraídas não enchem.
Analise do Discurso
A análise do discurso é a essência da Linguística contemporânea. Ela surgiu há 100 anos e hoje se destaca em toda ação humana na comunição. Nada contribui tanto para entender a comunicação verbal humana, essencialmente humana, do que a análise do discurso. Resumindo, todos temos uma fala (que é discurso) dependendo de onde estamos, com quem estamos, para quem falamos e qual nosso objetivo. Mistura tudo e criamos um discurso orientado. A maioria nem percebe. Aliás, apenas linguistas percebem a técnica da análise do discurso, ainda que usam pouco. Advogados usam muito e também sabem, os bons advogados. Políticos, como o Dória, publicitário, também são experts. Todo bom publicitária é perito em análise do discurso. E claro escritores romancistas. Se me permitem uma sugestão para entender nosso clima emocional no Brasil, estamos vivendo uma disputa singulas de discurso, e tão somente. Um discurso que leva os impulsivos à barbárie como testemunha-se. O discurso aqu no Brasil hoje é até do que aquele que existia pré Segunda Guerra, duranre a Segunda Guerra, e ao longo da Guerra Fria. Naquela época o perígo era real, haja vista a Crise dos Mísseis, que por pouco não transformou o Planeta em geleia. Atualmente as pessoas então reproduzindo um discurso que colou igual chiclete e que foi construído de modo sem lastro com a realidade e com a própria vida deles. Um discurso do nada que para quem fala é tudo - igual fé religiosa. A mentira não é mais a desinformação, como antes, que servia para confundir. Podemos dizer que a mentira é simplesmente mentira, porque o discurso não tem lastro com o real. Pense bem: beltrano que apoia fulano sem apoiar. Kit tal criado por pessoa tal qual para educar ou depravar. Para não alongar os exemplos, a única forma de combater o discurso é a pessoa olhar para ele próprio e enxergar contradição no que fala. Mas sabe quando isso ocorre? Nunca. Tarefa quase impossível, porque as pessoas não negam seus pensamentos. Aliás, nosso cérebro tem pânico de contrariedade. A melhor pedagogia que existe é a da afirmação. Ao invés de "não converse", melhor dizer "mantenha o silêncio"; ao invés de "você não faz nada", melhor "você precisa fazer". O não é interpratado como sim na mente. Bem, incrivelmente todos os nossos sonhos são afirmativos. Para nossos sonhos não existe o negativo, observou Freud. Tal o poder de nossa mente sobre nossas afirmações. O discurso que está na boca das pessoas aqui no Brasil é o da afirmação do incorrupto, do honesto, do íntegro, do que vai colocar ordem e decência na desordem e indecência. Até aí tudo bem. Quem acha que Bolsonaro será a solução, claro está que não adianta contraria o discurso dele. A forma eficaz seria fazê-lo enxergar que está negando o que fala e não afirmando. Porém, a campanha de mentiras não permite a pessoa analisar sua fala. Ela crê no discurso dentro dela, construído nela, e não no que vem de fora para negá-lo - ainda mais quando se afirma que ela pensa corretamente. Lá atrás o Lula deveria ter percebido, ou ser orientado a perceber, quando Haddad perdeu a reeleição no primeiro turno por um discurso. Dória é um discurso. Os discursos podem ser justos e honestos, quando correspondem à realidade. Já os que não têm lastro com a realidade criam-se as figura políticas que estamos testeminhando. Vejo tantas pessoas boas, simples, humanas crendo no que falam sobre Bolsonaro que rasga a alma, por uma razão simples: Bolsonaro e seu discurso hoje é mentira. E a verdade é que ele colocará a sua verdade em prática, e a prática que nos preocupa.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Amizade
As relações humanas estão muito difíceis. Pelo tempo em que vivemos e pela configuração de nossa sociedade. Acho que em uma tribo indígena ainda imaculada da influência do Ocidente seja outra relação o ser amigo. Não falo com estilo e busca de impacto. Praticamente a amizade se estreitou e raros contatos, que se faz, formam amizade. Eu falo para meus alunos que não sou amigo, para não esperarem de mim amizade fora da sala de aula. Aliás, nem dentro da sala de aula. Eles não precisam de um amigo - por mais que se estabeleça amizade. Precisam de um professor, que se preocupe com eles. Com meus filhos a mesma situação. Sou pai. Eles não precisam de mim como amigo. A referência tem de ser o pai, e minha intimidade é total para ser pai, desde que nos limites de ser pai. Talvez quando eu envelhecer, eles possam encontrar o amigo, ou eles se tormarem pai de um idoso. A propósito, um relacionamento amoroso não precisa estabelecer a relação "amigos". Companheiros, parceiros e até cúmplices. Mas suspeito que é um mal a amizade em um relacionamento amoroso, que antecede a angústia de perder a referência da pessoa com quem se convive e se compartilha praticamente tudo. Sei que soa radical tira a amizade disso tudo. Por outro lado, pensando em amizade em si, em ser amigo, podemos lançar luz ao ser de fato amigo. Não chamamos um amigo de filho, aluno, amor. É amigo! Amigo implica um grau de cumplicidade que muitas vezes não há entre professores e alunos, pai e filho, marido e mulher. Para alguns poucos amigos confiamos praticamente tudo e teremos a certeza de que a pessoa nunca, jamais nos julgará, nem nos condenará, não irá mentir jamais, não será nada a não ser sincera, autêntica e verdadeira. É amiga. Neste sentido estamos em uma época, dentro do dinamismo social atual, em que vivo, em que estabelecer relações fortes de amizade é algo muito raro. Vejo que o conceito básico de transferência emocional, de que falou Freud, se aplica maravilhosa e reciprocamente entre amigos, cuja empatia é a máxima. Sei que as exceções existem. Há pais amigos dos filhos. Há professores amigos dos alunos. Há maridos muito amigos de suas esposas. Tento ser tudo isso na prática, mas sei que filho, alunos e espsa (marido) precisam de amizades genuínas para extravazar e não ser julgado. Claro que se há amizade pura e genuina entre eles, no conceito em que suponho, jamais há nenhuma espécie de julgamento, crítica destrutiva, condenação, mentira. Há o ideal de acolher a fraqueza do outro sempre e, nos erros, perdoar. Um amigo perdoa o outro amigo. Foi isso que o Burro disse ao Shrek. Literalmente. "É isso que fazem os amigos. Eles perdoam uns aos outros." Foi no final do Shrek 1. Creio que a História das amizades varia ao longo dos séculos. Mas supeito que prevalece o acolhimento, a aceitação, o não julgamento e até o eventual perdão na falha. O professor, daqui uns anos, se torna estranho. O casal pode se tornar estranho um ao outro, mesmo juntos, depois de conviver por anos. Os pais amarão os filhos incondicionalmente, mas criam-se os filhos para o mundo, para eles viverem suas vidas, às vezes distantes e ausentes por anos. Já aquele amigo, distante no tempo e no espaço, jamais se torma estranho. No reencontro, abraços fraternos são dados e logo se confessa a vida. Praticamente tudo. Não é questão de pessimismo sobre os relacionamentos humanos. É uma impressão dos tempos. Tenho meus amigos, que são meus irmãos, que há anos não os vejo por circunstâncias da vida. Mas sei que um carrega o outro no coração. Se vê no olhar, porque os olhos sorriem. A amizade vem destes olhos, que sorriem. Ganhamos as pessoas ao sorrir com o olhar. O olhar é nosso melhor amigo.
Ramachandran filosofia
Todas as questões que eu lia em filosofia, desde os gregos até o início do século XX, vêm sendo categorizadamente respondidas pela neurociência, e mais precisamente pelos insights do neurocientista cognitivo indiano V. S. Ramachandran. Nossa sensibilidade é o início de nosso mundo. Estamos aqui presentes, que nos dá experiências, e juntamos tudo o que sentimos em quase um todo coerente para seguirmos em frente na vida. Temos o lado prático, de nossa existência pessoal e da existência daquilo que pertence direta ou indiferamente a nós. Superando o lado prático, entramos na especulação com perguntas, principalmente "por quê". Temos a necessidade de explicação. Vamos retornando o pensamento até descobrir algumas razões. É basicamente a profissão do terapeuta em nossas crises. A partir dos sintomas de agora, regredir no passado da pessoa e desatar nós emocionais e desembraraçar algumas linhas cruzadas. Então o desbloqueio emocional liberta novas percepções e a realidade do hoje se reconfigura. Do ponto de vista da cachola, o mecanismo