sábado, 10 de novembro de 2018

Não Comece - poema

Não Comece

Não comece.
(Fosse para defini-la),
Não comece.
Ela quer que comece,
Sem fim.

For para começar,
For para brincar
Sem graça alguma,
Não comece.
Brincar de iludir,
Não comece.
For para jogar
Dados soltos,
Sem jogo,
Não comece.
For para ir sem nunca,
Nunca ficar,
Por que
Começar?
Não comece!
For para sonhar,
Que fere sem necessitar,
Por quê?

Não, comece
Agora a deixar p'ra lá.
Comece sem olhar,
Comece sem tocar,
Comece sem falar,
Comece sem envolver,
Comece sem encantar,
Comece sem começar.

Ela quer que comece
Um sorriso sincero
De sorrir acolhedor.
Acolher dor?
"Pode ser", ela pensa.
Mas não se fala em dor.
Ela dança,
E quem dança nunca,
Nunca para,
Porque a alma dança
Para sempre,
Anestesia dores,
Que começaram um dia.
Ela dança no olhar,
Nos lábios, sempre.
For para começar,
Vá com ela,
Somente, e quase apenas
Ir com ela no ritmo
Que não ilude, não confunde,
Nem aprisiona.

Não comece a tirar,
A tirar a liberdade,
Que nunca ama.
É forte começar.
Nem comece o que
Não vai durar.
Nem comece a amar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ao amor entregue sua alma

Ao amor entregue sua alma

Todos precisamos amar alguém.
Não é uma lei.
Mas como fosse.
Saber onde estamos e para onde vamos, sozinhos, sem amor, é um sonho a poucos.
Nem sei se possível a um coração que já amou algum vez.
Mas permiti.
Sem querer, vi-me estranho diante dela.
Desconfiei.
Seu jeito foi aparecendo tão calmamente, que fui permindo.
Permiti até ver-me no estado de quem sofre sem morbidez e melancolia.
Paixão apenas.
Nenhum sofrimento agrada.
Ainda mais amar, desejar, querer, sem ter.
A mente imagina e a imaginação real machuca.
O desejo de realizar não agrada, se há muitas dúvidas e incertezas.
A exclusiva certeza é não saber o que fazer, senão amar o mais belo possível.
São coisas do amor solitário, que constrange admitir, e mais ainda declarar ao mundo, sem que o mundo peça satisfação.
Sou meu mundo, ou melhor, sou neste exato momento dois mundos.
Aquele que ama e aquele que reflete quem ama.
Meu amor está nela e em minha cabeça.
Minha reflexão está em minha cabeça pensando nela.
Parece exagero demasiado, porque a poesia tem um quê hiperbólico.
Nenhum amor vale a indiferença psicopata.
Se escrevo, digo o que sinto.
Se exagero, afirmo que não minto.
Me vem à mente agora outro poeta: "para que mentir?"
Viajo em um lindo sentimento, cheio de sensações incríveis, e se ao menos desperta-me algo criativo, rendo-me a ele.
E se ela duvida de minha capacidade de amar, eu silencio.
Como um filho, na verdade, todo amor pertence a quem ama, e nele entrega sua alma.

Produto

    Produto

    - Estou com uma coceira nos dedos dos pés, Rogério. Horrível. Não para. E sempre tive.
    Rogério pediu para Débora tirar o sapato. Ela relutou.
    - Imagina. É feio de ver. Uma vergonha só.
    Ele insistiu. Colocou o pé direito descalço no chão. Ele pediu para ver mais de perto. Ela já não deu caso. Ele abaixou.
    - Já sei. Eu conheço uma pomada excelente. É cara, mas resolve.
    -  Cara quanto?
    - Não se preocupe. Eu vou comprar para você. Um presente.
    - Mas por que este presente?
    Ele se levantou. Pegou o paletó pendurado na cadeira. Era um escritório de advocacia. Ele era novo lá. Débora, um ano mais velha, quase senior, apesar dos 28 anos. Antes de sair pela porta, parou uns três segundos. Voltou os olhos para ela, que sorria pelo hilário dele.
    - Porque eu cuido de quem eu amo, disse visivelmente com os olhos marejados e a fala embargada.
    E saiu. Ela silenciou, séria e perdida. Parecia verdade. De fato. Quem ama cuida, em todos os momentos. Ela, a partir de então, permitiu ser cuidada, e, de sua parte, cuidou de Rogério.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

À Sheila

À Sheila

Sentir nossa noite ao lado dela.
Contar as estrelas e seus segredos.
Sentir seu silêncio e o silêncio delas,
Meu peito ardente morrendo de medo
Da escuridão que a vida nos lega,
Do incerto segundo que vem e que passa,
Passar uma noite, eterna e sem pressa,
Amar as estrelas que se lembram dela.
Mãos apertadas, olhares perdidos,
Na areia do mar, calmo e espelhado,
Passar uma noite, fazer os pedidos -
Estrelas cadentes, no céu estrelado.
Não contar o giro infindo da noite,
Meu sonho real na imaginação,
Querer namorá-la, dizer boa-noite
Com beijo amado cheio de paixão.
Passar noite e dia ao lado dela,
Fazê-la sorrir, acolher sua dor,
Meu sonho que vive sonha com ela,
Do céu estrelado, da Estrela do Amor.








domingo, 4 de novembro de 2018

Fosse por mim


Deveria estar mais agradecido, e sou muito grato. Fosse apenas por mim, olharia com muito mais amor os pequenos detalhes que formam a minha existência. Fosse somente por mim, honraria muito mais toda doçura que encontro na humildade, pureza e inocência. Fosse por mim, curvaria minha alma e inclinaria meu corpo, tocando com meus lábios no solo sagrado que, afinal, tudo que existe abriga. (Engana-se quem acha que da água viemos: o solo sustenta a água!). Fosse como fosse, faço por quem eu amo. A gratidão, o amor, a existência, a doçura, a humildade,  a inocência, a alma, o corpo, os lábios, o sagrado, o solo. Gratidão é pouco fosse por mim.


Será?


- Será amor eterno?
- E as circunstâncias serão?





sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Faz sentido







Faz sentido, ao amar alguém, desejar lembrar-se da pessoa em pequenas memórias e lembranças. A última vez em que vivi este nefasto sentimento era adolescente. Hoje são as pontas da vida se reencontrando, e o eterno retorno da capacidade de continuar amando intacta.