sábado, 25 de abril de 2015

Nao permita

Não permita-se. Do erro. Erro comum. O erro de ser igual. Ser um dos modelos encaixados no mesmo perfil replicante. Sim, eu sei! É mais fácil, cômodo. Ser igual e reproduzir-se igual. O desafio diminui. Gasta-se menos energia. Equilibrá-se na divisão infinita das partes. Ser comum aproxima os comuns e afasta os incomuns.

Ser igual somente conforta quem se dá bem com o anonimato, ou com a segurança porque desaparece na multidão. A multidão encobre, suga, deixa seu eu numa patética forma acabada de linha de produção. Particularmente, isto sempre me incomodou e me incomoda ainda. Faço-me por fora um comum. Por dentro são estas palavras incomuns que chegam a assustar, surpreender às vezes, causar algum cansaço, provocar dissintonia, mas também acalmar os não comuns.

(...)

O mundo nos tende a tornar comuns. O mundo tem outras opções, porém. A opção existe em ser comum por fora. Por dentro, diferente, autônomo, desigual, tendo prazer com o vinho pelo vinho, do cinema, pelo cinema, dos estudos e leituras, pelos estudos e pelas leituras, das amizades pelas amizades que nos fazem sentir quem somos e não mais um homogeneizado. Ser comum é fazer dos prazeres meios para nos tirar da solidão e da carência. Ser incomum é sentar com a solidão e com a carência, agradecendo pelas pequenas boas coisas que o enriquecem.

Meu espírito sempre foi este. Não sabia dentro de mim isto e somente o tempo encarregou-se de ir lapidando, com muito sofrimento necessário (aquele desacordo entre a alma e a vida externa) e a felicidade, que para mim foi sentir os meus próximos felizes. O erro em querer ser igual à multidão é que "a multidão é um monstro sem rosto e coração". (Racionais).

Exato. Ouço Racionais MC. Não para pertencer à multidão. Tudo que faço é pelo prazer de fazer aquilo. Consigo sentir a verdade do momento e espalhar a essência de minha própria verdade. A minha. Não a da multidão.

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