quarta-feira, 1 de abril de 2015

Neurônios-Espelho: Perdoar as Fraquezas

Imagine que dentro de nosso cérebro temos algumas áreas que são as responsáveis por aprender. Aprender virtual e culturalmente. Parece óbvio. Evidente mesmo. Dá-se, porém, o nome "neurônio-espelho" aos responsáveis por essa coisa simplória de aprender copiando. Isto é fascinantemente revelador.

O que diferencia o ser humano de todos os demais seres vivos neste planeta é a enorme quantidade de neurônios-espelho.

Eles existem em nossos cérebros e entram em atividade virtuais a todo momento. Um exemplo? Cinema. Uma cena em que um homem tomou uma bela cacetada bem na sua parte mais sensível: o saco! Não foi em homem algum na platéia. No entanto, virtualmente a "dor" foi estimulada e reprimida ao mesmo tempo, como se sentíssemos, mas sem sentir: esta é a função destes neurônios em nosso cérebro. Entrar na experiência do outro e aprender.

Viver com bastante estímulo. Por que viver com muito estímulo é importante então? A resposta vem do Ramachandran, neurocientista revolucionário:

"Os neurônios-espelho desempenham mais um papel importante na singularidade da condição humana: permitem-nos imitar."

Não tivéssemos a capacidade de imitar desde os primeiros meses, seríamos 100% instintos e assimilação cognitiva pequenina. Agindo mais com instinto, não teríamos Cultura. Sem Cultura, não desenvolveríamos por exemplo a arte. Sem arte, sem sentimentos, já que não teríamos memórias, uma vez que memórias são emoções arquivados.

Esta é chave para nos deixar sempre abertos para o mundo e para o outro e com o mundo: neurônios-espelhos.

Não reprimir e excitar a função destes neurônios em nossa cabeça devem fazer parte de nossos dias. Os anos e a repressão social parecem inibir essa aprendizagem, que temos. Porém, ela é inata e nos faz ser o que somos: seres de cultural. Ser estimulado a reconhecer a cópia emocional será o passo mais importante da educação humana.

Ter consciência que aprender com a experiência do outro (até para entendê-la melhor) pode fazer parte da vida de todos: claro que nem todos vão, por exemplo, entendê-lo.

Por isto existe o perdão: saber que o outro é mais fraco - usa menos os neurônios-espelho que você. Em resumo:

"... a consciência do outro e a consciência de si desenvolveram-se conjuntamente, levando à reciprocidade 'eu-você' que caracteriza o ser humano."

Desenvolver relações através do ponto de vista do outro. Acho que este é o caminho da liberdade, esta é a chave que abrirá maior entendimento entre as pessoas.

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