Depois de uma certa idade, acho que os mais vacinados contra a carência compartilhamos um medo em comum. Conhecer pessoas que não exatamente vivem o que a primeira impressão aparenta e o que falam. Risco perigoso, que inquieta a alma, com um alerta de cautela a todo momento. As aparências enganam. A boca que fala engana. Os olhos, os lábios, o jeito. Somente não engana quem não quer enganar. A idade não pode mais nos permitir cair no engano. Ainda mais quando sabemos quem somos e o que podemos proporcionar ao compartilhar momentos. Autoconsciência deveria ser um gatilho natural. Incrivelmente não é a regra. Da mesma forma não é a regra a sinceridade inicial. Um primeiro encontro é um jogo paradoxal de esconde-esconde infantil próprio dos jovens. Abrir quem somos pode assustar. Complicado é quando abrir quem somos encanta o outro, que que se surpreende. Falo por mim. Nem mais me importa a arrogância. Autonomia emocional não comunga com a arrogância, que é para os fracos, que precisam se econder de algo. Uma pessoa que tem compromisso com a sinceridade pega facinho os recalques das mentiras - pequenas ou grandes. Deixar alguém à vontade para falar pode causar três movimentos. Interesse. Desinteresse. Indiferença. Vamos chamar isso de honestidade. Ainda que sem o outro saber. A frustração machuca mais do que o desinteresse. Creia! Não dou mais abertura a esperanças. Gostaria de amizades. Mas não creio em amizades entre homens e mulheres em que haja alguma dependência emocional, algum vazio a ser preenchido, algum hiato. As pessoas criam expectativas. O ciúes corre solto. Faz parte. Tenho uma amigona, daquelas que eu seria filho dela e ela seria minha filha, e ambos seriam bem cuidados, sendo que ambos têm seus filhos e são grandes pai e mãe para seus respectivos filhos. Essa uma amiga. Uma amizade que dá certo. E sempre dará certo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário