Uma amiga se separou na mesma época que eu - três anos atrás. Hoje ela está termiando a faculdade, e assim como eu praticamente a poeira abaixada daqueles momentos cheio de ventanias. À época, conversávamos muito. Fazia parte de algo que, cada qual com os problemas, compartilhado. Ontem, curiosamente, depois de meses, batemos um papo pelo whats. Viver no mato e no mar a 160km de SP dá preguiça. Uma preguiça saudável de não dirigir. Conversamos e falamos de como as coisas estão. Mais uma vez concluí que tempo para adequar nossas emoções é tudo. No meu caso, tive que deixar tudo, e ainda de deixar tudo, ficar sem absolutamente nada, para que pudesse viver o mínimo de paz, e confusão alguma mais séria recaísse sobre meus filho. A vida se abre para nossos jovens. Se o diálogo e o bom senso não fizerem parte de ambos, e ambos desejarem guerra, quem perde é a parte mais fraca. Não há dúvida que a parte mais fraca são os filhos. Do mundo nada se leva, ainda que se deixa muita coisa, escolhi deixar a paz para meus filhos não testeminharem brigas entre pais, e cada vez mais tinha que ficar do jeito que hoje estou. Sem dor em minha auto-estima alguma, ainda que familiares protestem pelo fato de renunciar vida financeira, vida emocional, vida social pelo mar e pelo mato - e projeto no início. Mas não queria falar só sobre isso. Isso veio apenas. Nesse papo com minha amiga, ela me disse bem claramente:
"Essa coisa de mulher solteira é muito ruim. Os homens são machistas demais. Tudo é motivo para sair e trepar. Eu não ando afim disso. Olha, eu conheci caras que se demonstraram ser escrotos."
Minha primeira resposta foi "se a mulher não for ninfomaníaca..." Ela concordou. Mesmo assim, ela não se arrependeu da separação. Ainda sai para tomar cerveja com o pai dos seus filhos, mas cada um no seu canto. Acho isso bacana. E entro agora na reflexão. O que nos agride. Uma vez uma jovem me disse claramente "você é igual a todos os homens; se não consegue sexo, fica de birra!". Senti-me um dos escrotos, machistas, so querendo trepar (não gosto desses termos!). Claro que me senti mais do que humilhado. E claro que falei para ela "desculpe-me, mas você está me julgando pelo tipo de homem que você está acostumada a sair!". Claro que ela ficou mais p. da vida ainda. Não é para menos. Lembrei (já com vontade de bloquear) que depois de 15 anos de casado, três de solteiro, 42 anos, opções das mais diversas e outros detalhes como escritor etc., eu vou me preocupar a sair com uma pessoa pensando em sexo? Não! Não funciona assim. Energia emocional em minha idade é algo sério. Já saí com mulheres que nem beijei em função da energia que senti! Hoje prefiro passar um quadro aterrorizante sobre minha vida porque cansa o mesmo padrão de interesse: culto, inteligente, encantador, educado, acolhedor etc. Sim. Se aparecer uma mulher realmente culta, educada, acolhedora, encantadora, leitora, sensível e apaixonate, eu até topo. Mas essa mulher já está com alguém bacana ao lado. Se não está, é porque sabe quem é e protege sua liberdade. Eu compreendo essa minha amiga. São fase de vida. Nesse mesmo papo eu disse:
"Cheguei ao ponto de minha vida aonde quero estar. Vejo que minhas energias são muito voltadas para a educação e bem-estar dos meus filhos, ainda que eu esteja distante."
Claro que o medo governa todos que temem o próprio medo. Medo da solidão. Medo da ausência. Medo de sofrer. Medo de não compartilhar momentos com quem ama, ou ao menos uma pessoa que esteja ao seu lado. Medo de carência. Quase todos os medos vêm da carência, a disfunção entre o desejar e não ter.
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