sábado, 5 de maio de 2018

Inocência e pureza

Para que o amor aconteça, me parece necessária boa dose de inocência e de pureza. Basicamente, o amor surge esvaziando nossa individualidade. Quanto mais a outra pessoa cresce em amor em nossa mente, menos somos para nós mesmos. Eu acho bonito. Eu creio neste amor. Hoje li que do ponto de vista neurológico o amor romântico é uma doença, como qualquer outra dependência. Somente quem já sofreu por amor sabe o estado em que se encontra. Um estado completamente passivo e dependente do outro. O amor é uma força Universal, assim como a morte. Os dois temas universais que fazem o seres humanos peculiares são o Amor e a Morte. O amor uni; a morte aparta. Quando há morte por amor, existe o maior dos paradoxos justificado somente pela palavra 'patologia'. Matar ou matar-se por causa do amor não tem sentido do ponto de vista da lógica da pureza, da inocência, quando tudo começa. Eu me cansei do amor romântico. Mesmo porque para mim amor é sacrifício, e sacrifico-me apenas pelos meus filhos. Não quero tirar a liberdade de ninguém, e não quero ver-me podado de minha liberdade. É que não consigo mais ser inocente, não trago experiência de pureza. Estou corrompido pela filosofia, pela reflexão, pela abstração. Não quer dizer que se deva usar a libertinagem ao extremo. Ao contrário. É saber ser livre para não mais perder a liberdade.

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