sábado, 19 de maio de 2018

Poema

Seu encanto habita meu sonho

Seu encanto habita meus sonhos.
Não sentia amar novamente.
Livre o sol e a noite me viam.
Livre vinha e ia na paz,
Sem palavras, sem versos, sem rima,
Sem aquela vontade alguma.
De onde veio, por que tão rasteiro?
Que chorei, neste amar, sem querença.
Quando só, palpitava, frenético.
Mas feliz, eu tinha a mim mesmo.
Depois me perdi para sempre,
Sem culpar já que a vida exige
Um encanto de dor-solidão.
A mudança me torna comum.
Do nada ao sempre sofrer,
Quando faz o amar novamente.
Sou mais um de alma despida.
Refém deste amor que não se importa:
Cultiva tais doces ilusões.
Mesmo assim cada fado em verso
Diz pouco, bem pouco do fel
Que é sentir um beijo distante,
Remoendo a imaginação.
É sentir um abraço ausente,
Tocando o corpo inteiro.
É sentir do olhar a ternura,
Que provoca amar na escuridão.
Mesmo assim admito o amor,
Habidando meus sonhos agora,
Que me levam a sonhar acordado.
E do sonho aprendo que sempre
Somos vítimas do eterno legado,
Não importa se sim ou se não,
Não importa se leve e feliz,
Não importa jogado à miséria,
A humana de não existir.
Que do amor vem a leda tristeza,
Ou do amor vem a triste alegria.
Ao que resta no enredo da ópera
São meus versos, aos sons do destino,
E seu encanto habita meu sonho.

Flavio Notaroberto

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