sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Origem dos Sentimentos

Não faz sentido algum nossos pessoais sentimentos senão na perspectiva dos outros. Não somos ilhas emocionais e não criamos nossos sentimentos. Eles são criamos e nós e sempre compartilhados. Quem dá siginificado ao que sentimos não está dentro de nós, mas sim fora de nós - ainda que achamos "absurda" tão afirnação. Não importa a natureza do sentimento, nem de sua intensidade. Não apenas pessoas causa em nós sentimentos. Um galho de árvore, que danificou nosso carro, ou sujeira no chão na calçada do nosso vizinho pode provocar sentimentos diferentes, inclusive de prazer. Tendemos sempre a olhar nossos sentimentos dentro de nossa perspectiva - jamais na dos outros - e pensar que somos autônomos. Uma criança se sente culpada mais facilmente porque ela acredita que os sentimentos dela existem por causa dela mesma. Afinal, ela que sente. Nós adultos precisamos fazer o caminho da libertação dessas culpas para amadurecermos, o que leva anos. Olhar para si como indivíduo, por sua vez, depende de como nossa imagem pessoal e autoimagem é e foi construida pelas pessoas. Veja que todo discurso de poder, transferência de poder e potência de poder cativa com facilidade as pessoas, justamente porque ajuda a pessoa a dar um mergulho dentro de si mesma, em busca daquele autojulgamento libertador independente das pessoas. De um modo mais sutil e peculiar, todo artista e a arte trazem em si meios para as pessoas olharem para si mesmas com o poder e a potência necessários rumo à sua libertação emocional e independência afetiva. O que é uma produção artística? Para entender uma arte é interessante saber afinal o que são mercadorias, que se vendem como celuares ou tênis. Um quadro, um filme, uma peça de teatro, um poema, uma música são igualmente consumos, semelhantes a carros, casas, lanches, roupas. Tudo entra no mesmo caldeição do consumo. O ponto que diferencia ambos é a rapidez do sentimento provocado em nós. Repare que quanto mais rapidamente um sentimento de posse se desfaz em nós, menos arte ele é. O contrário diz mais. Quanto mais algo envolve nossos sentimentos, mais arte ele é. O poema e o filme que temos sempre na memória são mais artes do que a roupa que compramos semana passada e já está esquecida. Oras, traumas são emoções negativas, que persistem sempre. Os traumas de séculos atrás eram resolvidos por dois meios básicos: a catarse artística ou a sublimação religiosa. Na arte, o herói poderoso era destruído num trágico fim. Se o herói tinha uma vida pior do que a minha, então não devo reclamar. Isso é a catarse. Na religião, os traumas eram olhados para a esperança na fé, e sofrer se tornava mais suportável. Isso é a sublimação. Bem, eram caminhos rumo à autoconsciência. Hoje está bem mais sofisticados esses caminhos. Na essência, nossas vidas giram em torno de alcançar a autoconsciência, que nos ajuda a lidar com algumas dores e nos faz encaixar e aceitar mais facilmente o desconforto emocional. E novamente, todos os nossos sentimentos vêm do outro. Não inventamos emoções do nada, do vazio, do vácuo. Portanto, antes de cobrar de nós a natureza de nossas emoções, seria bom inverter a lógica do que sentimos e passar a perguntar qual a natureza do mundo e das pessoas que provocam em nós tais sentimentos. Em 100% dos casos, nós nos inocentaremos e em 100% dos casos é o início de todas as mudanças rumo à autoconsciência e libertação emocional, porque não nos culparemos pelo que sentimentos e olharenos com mais autopiedade e autocomiseração para nós mesmos. Aliás, não falo por mim. Essas ideias são puramente o funcionamento do nosso sistema límbico - e vale a pena pesquisar a respeito.

- flavio notaroberto -

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