domingo, 18 de outubro de 2020

vergonha alheia

Há um espírito de vergonha alheia mais intenso. Vergonha das pessoas do que de si mesmo. Vergonha de uma imagem, que diz pouco do bastante que as pessoas gostariam de dizer. Na guerra fria de quem somos mais diante do mundo, o espelho é o mundo que reflete quem nos olha. Desejamos o olhar alheio. Diluiu-se a capacidade de ver a nós mesmos. Precisamos da afirmação do outro sobre nossa percepção diante da natureza, que existe para nós. Sem o outro saber que vemos, não existimos para nós. Essa a vergonha alheia. Nesse sentido, não apreciamos pensamentos em palavras, que caminham seu curso desafiando a lei da indiferença. As palavras existem elitizadas por quem as lê. Desafia existir num mundo em constante construção, e traduz o que tem de mais peculiar. Sim! As pessoas desencantam quando querem encantadas por imagens superficiais do que são nos contornos dos sentidos. O lado incrível no universo dos poemas revela-se no impacto semelhante às palavras terapêuticas de nossas angústias e desajustes emocionais. Ler poemas não se vira os olhos para o mundo, porque não são os olhos do mundo. Logo, não há espelho, senão aquele em que o reflexo seja a si mesmo. Essa a vergonha alheia. As pessoas querem aparecer demais, porque não sabem quem são a si mesmas, e existem sem caminhos pavimentados com seu ser.

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