Eu: Meu anjo, quero que leia o poema que eu escrevi para você. Afinal, embora eu não possa ser 100% seu, você tem a melhor parte de mim.
Ela: Pode mandar.
(Mandei o poema. Ela leu.)
Ela: Nossa. Maravilhoso. Melhor poema que já li seu! Parabéns.
Eu: Foi o melhor poema que eu fiz, porque meu sentimento por você faz de mim alguém que gosta de fazer poemas, especialmente para você.
Ela: Parabéns!
Eu: Mas repare nas letras iniciais dos sete últimos versos. Reparou?
Ela: Nossaaaa! Verdade. Agora que eu vi.
domingo, 12 de novembro de 2017
Diálogo
sábado, 11 de novembro de 2017
Poema
Aonde vais tu,
Com o que resta de mim?
Sou pouco aos olhos do amor,
Sou pouco, próximo ao fim.
Iludiras-me tu
E aflito de mim, te amo.
São regras penosas do amor.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
A Lua
A Lua
Que o brilho da noite suspenda,
Por um breve e curto momento,
A dor solitária de amar.
É que a lua evoca segundos
Passados, felizes, ciosos,
E põe-me sozinho a sonhar.
Das vezes comigo na estrada,
Vadio, errante, dormente,
A lua amiga inspira:
"- Quando voltas a mim, meu amor!",
Suplico sem eco, sem vida.
"- Ao menos a dor me suspira."
Recito-lhe, em meu triste delírio,
Sem fim aqui dentro vago,
Mórbido, a sombra reflete-me.
Só tu, casto amor, me animas,
Não digo das lutas perdidas,
Que ao ar, desfiz-me em pó.
Os pés agarrados ao chão,
Lua brilha assim de repente.
Retorno cansado de amar.
Tão cansado, sozinho, ao luar.
Novamente em tal solidão.
Logo o dia fervente me rende.
Repouso com a mente dormente,
Que a luz causa mais desconforto
E perturba a dor de sofrer.
Quero a lua suspensa, eterna,
Que me lembra a flor dos meus olhos.
Sempre pura, meiga e amada,
Juro a ti o amor verdadeiro,
Uma vez que somente a ti quero.
Livre em mim amor não espero,
Inspirado, mas fraco infeliz.
Ainda que falta-me luz,
Não importa se lua, se sol,
Amar é meu grande momento.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Despertei
Despertei há duas horas. Fui ao bamheiro. Poderia ter voltado a dormir, porque estava com sono. Equilibrava-me para deitar na cama, uma vez que minha consciência não estava plena ainda. A televisão ligada. Meu filho deitado ao meu lado. Mudei de canal e mantive-me desperto. Vejo as mídias sociais, leio algumas notícias em jornais. Passo meu tempo. Quando passamos nosso tempo, uma das armadilhares e revisitarmo-nos... Não é fácil falar sobre si mesmo sem deixar a impressão de fragilidade. Mesmo se no exaltamos, algo de recalque sugere o contrário. Comum a quem escreve dizer do outro, e quando refere a si, prefere o lirismo que enaltece. Escrever para mim vai além do que se faz diariamente por aqui. Falar dos sentimentos sem filtros é próprio do desabafo. Não há critério algum. Quem não filtra o que fala ou escreve pode se arrepender. Nesses meus sentimentos e memórias revisitados, não chego a ter arrependimento. Algo de satisfação pessoal comigo mesmo e gratidão pelo que pude tornar-me como pai, professor, escritor e aspirante a intelectual acadêmico, me deixa de bem com a vida e com os homens. No amor, minha alma envelhecida, com o corpo em envelhecimento, cansou do amor carnal, como nos
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Fillsofia 1
Filosofia para Iniciantes 1
Saber a seguinte sequência: Sócrates, Platão e Aristóteles, ajuda muito para entender Fiolosofia Ocidental. Os três são gregos, e viveram 400 anos antes de Cristo. Quando Sócrates tinha 70 anos, Platão tinha 20. E quando Platão tinha 60 anos, Aristóteles tinha 20. Eu estou aproximando as idades. Somente para entender que o mais velho é Sócrates. O mais novo Aristóteles. E que havia uns 40 anos de diferença entre os três. Aprender a filosofia de Sócrates é ler o que Platão escreveu, e explico. Platão escreveu diálogos. Literalmente diálogos. Como uma peça de teatro. O personagem principal era Sócrates. Em todos os diálogos Sócrates está presente, e ele mais pergunta do que responde. Aliás, essa forma de fazer perguntas constantes para saber aprender sobre um assunto por meio de diálogo é o que chamamos de "dialética". A expressã "dialética socrática" surgiu por causa dos diálogos de Platão, também conhecidos como "diálogos socráticos". Resumindo.
*A sequência do mais velho para o mais jovem é Sócrates, Platão, Aristóteles.
*Platão escreveu somente diálogos, como se fosse um teatro.
*O personagem que aparece em todos os diálogos é Sócrates.
*Sócrates mais perguntava do que respondia.
*Esse forma de perguntar é conhecida como "dialética".
*E Diálogos de Platão ou Diálogos Socráticos são as mesmas coisas.
Amanhã falarei sobre o O Diálogo da Alma (Fédon), de Platão. É o que eu mais gosto.
domingo, 22 de outubro de 2017
Mudança
Há uma cena do filme 'Embalos de Sábado à Noite' em que o personagem do John Travolta pede desculpas à sua mãe pelo filho arrogante que ele tem sido. A mãe reage inesperadamente, com indignação. "Imagina, meu filho! O que é isso? Você tem sido um ótimo filho!" Ele explica que sabe que não, mas que tem amadurecido. Quem assistiu ao filme, irá se lembrar. Bem, incrivelmente o amadurecento faz as pessoas terem autoconsciência do que elas eram e de como elas se comportavam. Não fosse assim, elas não amadureceriam. No filme, ele fala para a mãe que quer mudar, quer ser diferente, quer ser menos arrogante, parar de usar as pessoas, ser mais maduro etc. Acho que no fim da cena, ela oferece mais um pedaço de bolo para ele. Ele aceita.
Indo comprar pão agora à tarde, veio-me à cabeça esta cena. Lembrei-me de mim mesmo quando eu amadureci. Eu tive autoconsciência de meu papel nesse mundo aos dezessete anos. Faz tempo. Desde então, perdi parte da inocência. Entrei em depressão no ano seguinte, porque a realidade cruel passou a ser implacável em mim, como é a quem abre os olhos e não tem preparo emocional para absorver tanta realidade. Vivi quatro longos anos depressivo. Estes anos ao mesmo tempo existiram e não existiram para mim. Bem, ter autoconsciência é algo que traz tristeza. Tanto que no filme eu acho ser uma das cenas mais tristes, e para a mãe dele também.
Reconhecer-se amaduro exige forte atitude de humildade. Inclusive causa espanto nas pessoas.
Particularmente, uma pessoa arrogante sendo humilde incomoda minha interpretação da personalidade humana. Deve ter incomodado também a mãe do personagem do filme.
Nos últimos tempos, eu tive essa experiência de querer ser algo que não me pertence, ou melhor, nunca me pertenceu. Não sou da vida balada, de festa, de exageros, de êxtases. Sempre fui recluso, introspectivo, interessado em viver minhas sensações e emoções particulares dentro de minha mente reflexiva, sem me poluir emocionalmente. Sou mais sério do que minha vontade de querer ser livre. Aliás, sou livre para não querer ser o que não gosto de ser. Ainda mais agora. Gosto dessa coisa simples entre escrever e ler, ouvir música clássica e assistir a filmes e documentários que refletem a existência. Creio que tem a ver com as minhas aulas e com as minhas escritas.
É um processo inicial de desintoxicação emocional deixar de lado o que não se deseja mais. Nada grande coisa, porém. Algumas coisas valeram à pena. Ser menos do que eu me sentia, valeu-me a experiência. Tornei-me admirador de Kant. Aliás, sinto-me filósofo a partir do momento em que entendi Crítica da Razão Pura - em meados de 2016. Desde então, o sentir teve uma dimensão muito significativa para mim. A neurologia atual tem me mostrado em meus estudl sobre ela que nosso cérebro é dividido em diversas partes e cada qual dessas partes altamente especializadas. Usamos a totalidade de nosso cérebro. Eu uni a filosofia kantiana, que é o início da verdadeira metafísica, com os estudos neurológicos e nossa apreensão nesse mundo, e para ser mais específico, as nossas qualia. Foi bem libertador.
Não dá para fingir que não existe em mim o que existe. Posso emagrecer, cortar o cabelo, tornar-me atleta, curtir passeios etc., mas o conhecimento do que eu sei não sairia de mim. Uma vez que foi conquistado por mim através de muita leitura e dedicação. A voz interna em mim é barulhenta. Ela silencia minha voz exterior. Tal como a autoconsciência do personagem do filme, é bom saber quem de fato você é e o que quer ser. Ambas as coisas eu sei. Estava tentando curtir sensações relativamente normais, e foi engraçado e divertido. Eu ria mais do que sentia contentamento. Rir e ter contentamento possuem pouca coisa em comum. O riso é nosso pior inimigo em todos os sentidos. Disse isso aos meus alunos, porque estamos lendo 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', e este Brás Cubas nos faz rir muito como rimos da coitada Eugênia, o coxa flor da moita. Contentamento vem para mim da reflexão e do conhecimento. Gasta-se mais energia. Justamente o que nos mantem alertas e vivos.
As palavras contrárias
(aldo carotenuto)