A Lua
Que o brilho da noite suspenda,
Por um breve e curto momento,
A dor solitária de amar.
É que a lua evoca segundos
Passados, felizes, ciosos,
E põe-me sozinho a sonhar.
Das vezes comigo na estrada,
Vadio, errante, dormente,
A lua amiga inspira:
"- Quando voltas a mim, meu amor!",
Suplico sem eco, sem vida.
"- Ao menos a dor me suspira."
Recito-lhe, em meu triste delírio,
Sem fim aqui dentro vago,
Mórbido, a sombra reflete-me.
Só tu, casto amor, me animas,
Não digo das lutas perdidas,
Que ao ar, desfiz-me em pó.
Os pés agarrados ao chão,
Lua brilha assim de repente.
Retorno cansado de amar.
Tão cansado, sozinho, ao luar.
Novamente em tal solidão.
Logo o dia fervente me rende.
Repouso com a mente dormente,
Que a luz causa mais desconforto
E perturba a dor de sofrer.
Quero a lua suspensa, eterna,
Que me lembra a flor dos meus olhos.
Sempre pura, meiga e amada,
Juro a ti o amor verdadeiro,
Uma vez que somente a ti quero.
Livre em mim amor não espero,
Inspirado, mas fraco infeliz.
Ainda que falta-me luz,
Não importa se lua, se sol,
Amar é meu grande momento.
O amor é uma luz.
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