Existe o todo e existem as partes. Existe o particular e existe o universal. Existe a porção e existe o globalizante. Tenho lido sobre o universal. Na verdade, sobre a História Universal. De imediato, não creio em universalização, não creio em uma teoria que unifica, engloba e totaliza o conhecimento. Para mim, a filosofia parou em Kant, e depois dele aprendemos a pensar como Kant. Inclusive quem nunca leu Kant. Fui entender Kant apenas em 2016. Olha que eu já tentei inúmeras vezes compreendê-lo ao longo de vinte anos. Kant me ensinou didaticamente que duas coisinhas parecem ser realmente universais e ao mesmo tempo incompreensíveis para a mente humana, e para quem gosta de pensar - assim como eu - na mente humana: o Tempo e o Espaço. Kant escreveu que somos simultâneos no espaço. Eu, você, o mar que é minha paisagem agora, o sol que esquenta a areia da praia, e algo mais distante no universo que a imaginação humana não sabe onde é. No tempo, somos sucedâneos, consecutivos, somos constantes, porque o tempo é indelével. No tempo nossos eternos no passado e no futuro - existindo ou não existindo a mente humana. O tempo não existe senão em si e o espaço existe para nós, sol, planetas, buraco negro, partículas, que existimos, ou para o que virá a existir e para o tempo. Sem o espaço, o tempo interrompe seu percurso. Foi Einstein que disse. Nossa história é uma sucessão de acontecimentos que nos marcam a alma, assim como outro acontecimentos que são esquecidos. Chamamos de tempo de vida nossas experiências marcantes. Inclusive os traumas, que roubam malignamente nosso tempo. Tiramos de nossas experiências as dores e as alegrias, que também são relativas. Existem sentimentos inesquecíveis, porque habitam a memória de cada um de nós. Tenho os meus. Todos os temos. Por mais que exista algo de universal nos sentimentos humanos, eu observo o mar e reflito. Digo para mim mesmo que jamais uma onda no mundo será igual à outra - não importa quão eterno tem sido o movimento, não importa quão eterno será seu movimento. Ela vem, quebra, sonoriza algo, recua, semelhante a qualquer vida humana, que eu creio nunca haverá uma igual, ou semelhante à outra - ainda que compartilhemos o mesmo tempo, o mesmo espaço, os mesmos sentimentos. Jamais saberemos o que de fato o outro é. Quem me ensinou pensar assim foi Kant. Nossa razão possui um limite. Assim vejo também a História Universal da Humanidade. O Universal é o que tem de mais diversificado em qualquer teoria totalizadora. Sinto os estudos do cérebro humano - a atual neurociência - mais especificamente a parte dele chamada "neurônios-espelho" algo futuro do que explicará po rque pensamos, por que refletimos, por que somos introspectivos, por que olhamos para nós mesmos e por que conseguimos olhar para o outro dentro de nós mesmos. Sou mero curioso sem ter vontade de passar meu tempo em festas, ebriedade e frivolidade, porque gosta de aprender e quanto mais aprende, mais relativiza suas certezas e mais se entraga à poesia e à arte poética. Às vezes arrisco uma reflexão cujo modesto objetivo é tentar organizar as leituras sobre um tema tão específico como a História Universal da Humanidade, para qualificar-me no mestrado sobre o romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Ironias à parte, um celular como esse em minhas mãos é a máquina de escrever na escrivaninha do passado, onde nossos intelectuais se intelectualizavam. Com o celular, podemos nos permitir arriscar reflexões e poesia em qualquer canto, inclusive na praia, uma praia tão linda como essa. Eu não enumero quantas ondas já se quebraram enquanto escrevo, mas as ondas não me deixam esquecer-lhes. Além de serem minha 9° Sinfonia de Beethoven, elas são a diversão de muita gente, e cada qual na sua fruição apaixonada, ou simples frivolidade.
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