Ontem passei a tarde lendo os poemas de Manuel Bandeiras, que foi o autor que mais estudei nos dois primeiros semestres da faculdade. Ontem à praia, eu relia seua poemas com a simplicidade que eles exigem, e relembrava-me das análises do prof. Dr. Joaquim Aguir. O ano era 1995. Nessa época eu tinha 21 anos, e já escrevia. Pedi para o professor ler uns contos meus. Ele leu e me orientou a amadurecer meu estilo, algo que vem com a leitura e com a dedicação. Poderia ter me desanimado. Afinal, um professor da USP dando uma orientação bem pontual de que meus contos eram ainda pobres em termos literários. Ao contrário, então, se antes eu lia muito, passei a ler o dobro, dez, doze horas por dia! Lia pausada e pacientemente com um dicionário ao lado. Precisava entender tudo. Quem me olhasse veria alguém traduzindo um outro idioma. Mas era meu cérebro traduzindo para mim o português escrito e bem elaborado.
Em minha vida sempre foi tudo meio atrasado. Entrei na escola com sete para oito anos; foi aprender a ler entre nove e dez; terminei o fundamental 2 com 16 anos; terminei o ensino médio com 19 anos; fiz um ano de cursinho aos 20 anos; e entrei na USP aos 21. Sendo que dos 18 aos 22 compartilhava minha vida com uma depressão à época não diagnosticada, que quase levou-me à morte em 1994. O fato curioso é que somente li meu primeiro livro aos 18 anos! Eu sei que eu era apenas uma pessoa inteligente cercada de mediocridade, que me limitava a mente e a consciência, com professores de medianos para medíocres que refletiam suas incapacidades de ensinar, a não ser passar na lousa para copiar! Sempre foi assim, e ainda hoje a maioria passa na lousa para copiar. Só que comigo deve ser na reflexão, não na cópia. O meu ensino médio - em escola particular e cara - foi basicamente na reflexão. Aprendia bem e ficava nas notas sempre entre os vinte melhores alunos dos 120. Não disputava com os melhores, mas tinha já aquele respeito dos demais. Na USP, onde me encontrei, pareceu-me que meu cérebro havia achado o que o alimentava para funcionar direitinho. Funcionou. Depois eu pude seguir praticamente sozinho. Bem, em 1999 casei-me e houve uma interrupção dos meus alucionados estudos. Divorciei-me em 2014 e somente agora, em 2018, retomo meus estudos acadêmicos - quase vinte anos depois. Nesse sentido que digo sempre atrasado. Por outro lado, sempre positivo, confiante, dedicando-me. Hoje não leio as 12 horas diárias. Mas as quatro horas que leio equivalem à 12, ou até mais. Escrevo todos os dias de poemas a reflexões, e o que leio geralmente fica assimilado em minha mente de boa. Foi bom catarticamente reler ontem Manuel Bandeira. Além do mais, meu livro Contos Suaves tem muita influência dele. Um forma de agradecimento, porque gratidão é tudo.
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