Algumas reflexões surgem inusitadamente e saltam para fora. Tormam-se palavras e até sinto meus lábios mastigá-las em movimentos involuntários. Deste vez foi um "não somos obrigados", e se não somos obrigado, podemos não nos permitir. Forte isso. Podemos não nos permitir desde ser idolatrado - meu caso ao dar aulas ou palestras - a não seguir uma moda qualquer em que nada perderíamos se a seguíssemos. Simplesmente pelo fato de não sermos obrigados e não nos permitirmos. Como a essência do mundo de hoje é o medo à solidão, nossos dias tendem à busca de relacionamentos amorosos, seja sonhando, desejando, procurando e sofrendo. Raramente falamos um "não sou obrigado" a ter alguém. Ainda mais quando a parte mais forte em nós mesmos é o envolvimento emocional, sem a frieza manipulatória do psicopata e mau-caratismo. Quem vive muita emoção não se contenta com "não sou obrigado". Mas imagine-se escovando os dentes e simplesmente se comunicar com seus próprios olhos do tipo "não quero", "não preciso", "não sou obrigado". Compreende? Pode ser que as emoções ainda sejam fracas e precisemos ficar inquietos desejando e fazendo inclusive o que sabemos que não precisamos nos submeter, vindo o arrependimento posteriormente. Oras! A solidão é um estado da alma. Da mesma forma em que se canta a realidade de uma recíproco com flores, chocolates, vinho, cinema e viagens, pode-se refletir sobre a solidão, não se permitindo a necessidade de ter alguém pelo simples fato de que as pessoas buscam olhos para serem olhadas, toques para serem sentidas, espaço e tempo para serem compartilhados, podendo viver bem com a sua própria presença cada detalhe disto. Não descarto eventuais toques. Porque noa descobrimos no toque do outro. Sofrer de amor ou de ausência qualquer de amor? Na verdade, podemos escolher o "não sou obrigado" a ser ou estar em uma condição em que vejo as pessoas sendo, estando, buscando e sofrendo por isto. Definitivamente não. Por outro lado, não descarto nenhuma complexidade da mente humana. Mas aí eu entraria em neurologia e quero só ter as impressões dispersas de um poeta com as palavras de um filósofo contemporâneo. Não somos obrigados. Você não é também, desde que não prejudique pessoal algum, porque minha moral é esta. Não sou obrigado, desde que não prejudique ninguém.
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