terça-feira, 28 de novembro de 2017

Permita-se

"Permita-se a obscuridade da solidão." é o início de um poema que comecei a fazer mentalmente, diante do mar, com um charuto aceso, pé na areia em quase total ermo. Mas não o ermo da alma. O ermo da minha própria companhia comigo mesmo. Recitava mentalmente uns versos de Fernando Pessoa "Sigo o fumo como uma rota própria. Saboreio o cigarro a libertação de todos os sentidos". A inspiração foram interstícios entre o mar, o vento, a areia. O poema fluiu com versos seguidos do tipo "permita-se ir a lugares na obscura solidão e ver pessoas sem ser reparado e ouvir vozes no silêncio da sua palavra..." As imagens dos meus versos sobrepunham-se às minhas palavras. Envaideci-me. A chuva veio repentina. O charuto umideceu. Levantei-me para o carro com o propósito literário de botar no papel. E apenas coloquei o "permita-se" que talvez seja o nome deste futuro poema. Ainda aqui dentro. Buscando caminhos para tornar-se real.

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