Lia agora algumas linhas do livro Era dos Extremos, que narra a perspectiva do historiador Eric Hobsbawm sobre "breve" século em que ele viveu e boa parte de nós agora que me lê nasceu. A essência dele é que a Guerra prevaleceu ao longo do século XX. Alguns momentos de paz, porém, como sinais de cansaço para outras guerras. Começou oficialmente em 1914 e terminou oficialmente em 1991 esse período de guerras intermitentes. Aos olhos de quem testemunhava os horrores das irracionalidades humanas, o fim da humanidade estava mais próximo a cada discórdia lançada em um tiro. Para mim, o que esses olhares aprenderam, nós hoje exageramos em nosso sofrimento e angústia. A maior preocupação não é a paz, mas a vida amorosa. De fato, tirando o evento de 2001 em Manhathan, não houve um ataque que levasse temor coletivo à humanidade. Temos nossos conflitos e temores, e creio que a maioria de cunho pessoal, pouca coisa coletiva. Temos o Trump no poder, o que fica algo iminente, como a possibilidade do "Americans first" e esse irreponsável começar um temor coletivo. Com o que nos preocupamos coletivamente? Meio ambiente, mudança climática, consumo, natalidade, recursos naturais, energia. Creio que ao menos já três gerações - desde 1960 - não experimenta o temor do fim do mundo como verdade plausível e real. Seria nossa infantilidade sintoma de não temer? Creio que sim. Querer ser amado em tempo de paz faz sofrer mais do que querer viver em tempo de guerra. Morrer na guerra é natural, ainda que sofrido. Não ser amado e querer ser amado na paz nos faz encontrar nosso terrível lado sombra, que pode nos destruir emocoionalmente. Viver tem dessa contradições. Viver em paz pode causar mal se não souber o valor que a paz proporciona.
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