sábado, 18 de novembro de 2017

Livro

"Dois tópicos na pesquisa cerebral parecem sempre atrair gênios e loucos. Um é a consciência e o outro é a questão de como a linguagem se desenvolveu." (Pag. 211)

Trecho de um livro. Segunda vez que o leio e ao invés de continuar, sou tomado por uma vontade enorme de escrever sobre. O limite entre entender a essência das coisas e as coisas em si está dentro de nós mesmos. A maçã é uma coisa em si, mas não sabemos qual a sua essência. Falar de consciência é genérico; falar de linguagem é comum. Entretanto, envolver pesquisa cerebral sobre consciência e linguagem abre a mente para ultrapassar o genérico e o comum. Atingimos a essência de que nós, humanos, temos consciência e para manisfestá-la temos a linguagem. O que são consciência e linguagem na sua essência?

O corpo humano como existe, a alma e o espírito humanos como existem, todas as sensações humanas como existem, a relação entre vontade pessoal e repressão das vontades como existem, a liberdade da felicidade e a prisão do sofrimento como existem, a resignação e a persistência como existem, a paixão dos sentimentos e a psicopatia como existem, estão em um único mediador comum: nosso cérebro. Como o Sol, a partir dele, do cérebro, nosso corpo todo se ilumina, e na luz fica menos turvo o que somos e queremos, e as frustrações. Vivemos pelo cérebro que nos cativa ao ouvir Soul ou Jazz ou comer pipoca do CineMark.

Ter consciência sempre machuca. E machuca muito. Cada consciência a mais que temos, mais realidade absorvemos. A dor, neste caso, é um bom remédio. A dor exige de nós o esforço de dobrar a atenção. Perigo. Cuidado. A dor é a fraqueza às claras de que nossas vontades não serão sempre atendidas ainda que temos cosciência da realidade. A relação entre consciência e dor surge ao sabermos quão limitados somos. Temos livre vontade para desejar. E geralmente nos limitamos aí, ainda mais quando a realização de nosso desejo esteja na vontade do outro. Ter consciência também machuca quando uma verdade aparece repentinamente. Aquela verdade que não acreditávamos ou a verdade que nunca imaginávamos. Sair de um emprego, terminar um relacionamento, reconhecer-se sem formação suficiente são verdades que machucam demais porque nunca imaginávamos em nós. O dispositivo dor é acionado. A partir de então, a consciência toma parte.

A linguagem, creio, é o fenômeno mais importante do que a consciência e mais dolorido quando incapaz de nos ajudar. Como disse, através da linguagem, manifestamos nossa consciência. Linguagem falha, consciência limitada. A dor inicial da realidade é a confusão que o novo causa em nossa mente. Ficamos sem fala. Ficamos sem voz. Ficamos sem palavra. Ficamos mudos. Perdemos a linguagem. Todos ao descobrirem algo que julgavam não existir ficam mudos. Dar exemplo apenas machucaria. Vamos a apenas um. 

- Pai, sou baitola.

Por segundos o pai tenta reorganizar a linguagem interna. Imaginamos o silêncio dele para oprimir a baitolagem do filho. E pego este exemplo que é mil vezes mais tranquilo do que:

- Pai, sou corintiano, sendo o pai santista fanático.

A linguagem ajuda a traduzir em palavras a confusão desta realidade em nossa mente quando temos consciência dela. O pai poderia traduzir a novidade em palavras e tranquilizar-se. Se ele tiver esta competência, o filho, em relação ao pai, nada sofrerá emocionalmente. A linguagem vai muito mais além. O encanto de estar ao lado de alguém que transmita segurança com as palavras e com o que fala, parte deste princípio. A pessoa tem forma de trazer paz em nossas mentes por meio de palavras. Toda confusão é gerada pela falta de entendimento onde a luz da razão é obscurecida, sobrando sombras e mais sombras de todos os lados. A consciência virando palavras acolhe quem sofre de excesso de realidade. Não neste mundo quem resista a um bom bate papo em que a realidade é apreendida.

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