Não há mudanças milagrosas. Penso nas adaptações. Dentro da vida vamos nos adaptando ao que desejamos. Mudar hábito alimentar, mudar o que fazemos com nosso corpo, mudar as escolhas para alguns sentimentos que desejamos ou não desejamos experienciar, mudar de emprego, mudar as idas e as vindas de lugares, mudar as pessoas com quem convivemos. As mudanças assim, então, são términos, em que se troca algo ou pessoa por outro. Penso, então, nas adaptações como a essência do novo para nós. Não basta simplesmente mudar, porque nosso cérebro não funciona assim, com o clique mágico do interruptor, que liga, desliga, desliga, liga. A essência de nosso cérebro são nossas memórias, que são nossas histórias pessoais, que nos fazem ser os indivíduos que somos para nós mesmos. Não mudamos simples assim e tudo vai na corrente do bem-estar emocional, físico e social. Mesmo porque, a mudança, no início, sempre é aparente e quase sempre um belo auto-engano. Se trocamos o hábito alimentar, existe o histórico do hábito anterior do fastfood muito forte dentro de nossa memória emocional. Assim vale para nossos amorzinhos que se foram, mas que carregamos muito dentro de nós; assim vale para os consideráveis quilos de massa gorda que perdemos, em função de exercícios e dietas, assim vale decidir não mais querer uma relação opressora, uma companhia destrutiva, um ambiente hostil aos nossos sentidos. No início a vontade é cruel e sofremos, ou desistimos. Volto dizer que as reais mudanças são na verdade adaptações regulares, que levam um tempo para nosso cérebro assimilar e criar outras memórias, para co-habitar com as memórias já construídas. Muitos desistem das mudanças porque, ao longo do tempo inicial da aparenre mudança, não conseguiram se adaptar, seja porque foram fracos, seja porque sentiram-se infelizes. Eu me adaptei a uma dieta mais saudável e emagreci; eu tenho feito exercícios físicos anaeróbicos diariamente e fortaleci; há quase dois anos vivo sozinho e assim preferi; estou distante de meus filhos, o que me aperta o coração, mas tento ser o pai presente, ainda que distante; eu preferi a solidão da minha companhia diária à poluição emocional ao compartilhar minha vida, porque vale muito viver parte da vida exclusivamente para si - e solidão não significa privar-se dos beijinhos, amassos e pegas acalorados com as minas, mas fazer tudo isso de modo intenso, sem perspectiva de envolvimento emocional. Nada de egoísmo. Eu não gosto de mentir. E todos egoísta mente. Eu não. Nem vontade de adaptar-se à mentira. Cada qual com seus gostos. A mim me sobra sorrir meu doce encanto da vida.
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