quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Quando pararemos

Meu primeiro livro, Contos Suaves, retrata a alma de pessoas comuns que vivem em SP. Eu sou da zona leste, Itaim Paulista, e é aqui que a maioria das histórias aconteceu. O cenário muitos amigos conhecem. A alma das pessoas das histórias, muitos reconhecerão parte de sua própria, ou parte de seus conhecidos. Tenho um projeto literário consciente para que a posteridade curiosa possa olhar para a zona leste, encontrar pessoas e sensibilizar-se com as almas comuns, de um lugar e tempo distantes. Um dos palcos para alguns histórias é o trem. Não é por razões emocionais não. É que tudo crescia em torno das estações de trem, e as pessoas que se deslocavam por ele moravam por ali mesmo. Agora estou no trem. Vêm-me à mente minhas histórias e parte dessa zona leste cresce com nossas memórias. A filosofia nos ajuda a atingir um entendimento peculiar. Sentimos o mundo, mas antes de reagir à sensação, refletimos. Damos o nome de metafísica a essas reflexões do sentir antes de reagir. O que é sentir por meio de nossos sentidos? A história da resposta a esse questão é longa. Prefiro a narrativa à filosofia. Ao menos prefiro uma filosofia poética, que me ajuda a distinguir a fato de viver e o ato de sentir a vida. Meu olhar perdido dentro de mim sabe para onde vai e para onde vou. Ele está perdido para o mundo. Não há mergulho interior passivo. O mundo julga a reflexão, ou o reflevixo algo doente. Afinal, o mundo existe e tão somente. Não há filosofia no mundo. Há distração, e não necessariamente distração feliz. Não poucos perdem seu tempo com preocupações burocráticas, sem tempo algo para questionar o que sente, por que sente, de onde vem. Eu vou no trem agora. Centenas me acompanham. Todos sentem. Todos sabem. Bem, eu sei, motivo pelo qual me indago: quando pararemos?

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