quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Depoimento

"As aulas de português com o professor Flávio

Sou Ana Heloisa, tenho 13 anos e atualmente estudo na escola Edileusa, que se localiza em Maresias - São Sebastião. Como sou nova, não tive tanto tempo tendo aulas com ele, mesmo assim, pude perceber o quanto suas aulas são especiais. Eu vim da capital. O ensino de lá é bem diferente. É um ensino maravilhoso, complexo também, só que em certo ponto, ele fica sufocante. Estou querendo dizer que estava cansada mentalmente de estudar. Muitos trabalhos, muitas coisas para decorar, muitos assuntos. Quando cheguei nessa escola, fiquei espantada de como os alunos falavam bem sobre o professor Flávio; fiquei um tanto apreensiva, achando que não seria boa suficiente para suas aulas. Tendo a primeira aula com ele, pude ver logo de cara que ele era diferente dos professores de São Paulo. Ele sabe ensinar sem desgastar as nossas mentes, (...). Além de inteligente, sabe respeitar a opinião de todos, também é compreensível e sabe que os alunos odeiam ter de copiar textos enormes (...). Ele sabe ensinar de uma forma que realmente aprendemos. Eu realmente desejo muito sucesso na vida dele, e que possa expressar suas emoções com livros que vendam em todo Brasil."

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Educacao sentimental

Educação Sentimental 1 - Sentir

Sentir é o início. A emoção existe no momento em que se sente. Nenhuma emoção é imaginada. A ausência de emoção pode ser jma doença 'psicopatia', ou pode ser depressão. Claro que podemos controlar nossas emoções, e daí que vem a importância da Educação Sentimental. Nossos desejos despertam em nós emoções primitivas, como fome, sede, medo, coragem. Emoções superiores vêm de outro nível de desejo mais sofisticado, como amor, vergonha, timidez, introspecção, ódio e vingança. A Educação Sentimental é possível. Podemos aprender vivendo diretamente as emoções, que é o meio inevitável, porque temos relações humanas. Sentir luto ou amor é diferente de saber que as pessoas sentem luto e amor. Mas também podemos ser educados emocionalmente em segunda ordem, por meio de exemplos que vemos ou apreendemos nas relações com as pessoas e na arte. Sofrer por viver o sofrimento ou o amor é sem dúvida mais intenso. Sofrer em segunda ordem, ao assistir a um filme, ler um livro etc., tem impacto menor. Por outro lado, falo sobre Educação Sentimental. Aprender a enxergar nossas emoções e olhar para elas sem o desespero que algumas requerem de nossas reações é possível. Se fosse simples, não seria desafiador. O primeiro passo para olhar para nosso sentimento é admitir que ele existe em nós. Tanto para nós, quanto silenciosamente para o mundo. Sei que nossa fragilidade vem de nossas emoções. Por outro lado, ninguém tem nada a ver com nossos medos e temores, bem como nossas felicidades e amores. Admitir que sentimos  emoções é autodisciplinar-se, autoconscientizar-se, auto-olhar-se. Educação Sentimental exige desafios e encontrar-se com nossa fragilidade e nosso lado sombra. Falarei sobre o medo no próximo texto. Assimile bem este texto e pergunte toda sugestão para ficar mais rica a abordagem.

Prof. Flavio Notaroberto

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Porque gosto dela - poema

Porque gosto dela

Por gostar dela?
Não pergunte a mim.
Pergunte a esta força,
Incontrolável,
Que habita as almas,
E busca caminhos
Que levem a sorrir
Para a vida eterna,
Tão bela e florida,
Feito a ponte que liga
A vontade de amar
O olhar inocente
De cada criança
Aberta ao mundo,
Que a terra anima
E faz da ilusão
Bela imaginação,
Que inveja o adulto.
Querer como elas
Viver os momentos
Cobertos, repletos
No que acreditam
Ser a razão de viver
A vida em paz.
Porque gosto dela.

sábado, 29 de setembro de 2018

Partilhar

Partilhar

Se me diz amor em mistério,
Sem mistério é seu coração.
Iludo-me, exausto, da vida?
Talvez, mas aceito, e acolho,
Porque o amor diz-me segredos.
Vivi tantos e quantos sonhos,
Que não sonho mais a ilusão.
Gosto segredo revelado,
Aquele dos olhos molhados,
Sem lágrimas, trêmulos os lábios,
Tremem mãos e peito apertado.
Suspeita de ser bela amada?
Quero-lhe linda poesia,
Que a beleza diz o infinito.
Respire, respire ofegante.
Quem bate à porta o amor?
Desejo de ser em verdade,
Porque viver é ser feliz.
Poesias e doces poemas
Por mim, mãos inquietas, escritas.
Você, suave inspiração,
Que o tempo é amigo da dor
P'ra quem ama, e sozinho acorda.
Se traz para mim seu mistério,
Decido ficar sem temor,
Aqui p'ra colher doces frutos,
E em resposta dou-lhe o prazer
De saber, com arte, amar.
Do amigo renasce a vontade,
Que do amigo o sonho aparece,
Que pode tocar lábios seus.
Quem sabe ser enamorados,
Porque felizes merecemos
Viver p'ra sentir um ao outro,
Deixar o carinho crescer.
Somos para o mundo pequenos,
O que é ser grande p'ro mundo?
É amar com desejo eterno
Descobrir grande felicidade,
Fazer da amizade a verdade?
Creio em alma feliz pela vida,
Na paz, duas almas amantes.
Creio no carinho, respeito,
Na entrega ao outro amante.
Um coloca sem o outro tirar,
O sorriso o amor se revela,
Espero poder partilhar,
Com belas e ricas palavras,
E gestos, verdades, carinhos.

(Flavio Notaroberto)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Escola Feliz, todos felizes

O que é consciência? Podemos dizer que há dois tipo de consciência. A primeira é a consciência experimentada, do tipo o corpo sentir diretamente na mente a experiência de uma vivência. Dá-se o nome de qualia (plural de quale). A segunda consciência é a mente saber tudo sobre a experiência, mas não sentir diretamente na mente. Sobre este último, um bom exemplo é um médico cardiologista, que nunca teve problemas no seu próprio coração e, portanto, não experienciou na própria mente a consciência de um infarto. Ela sabe intelectualmente tudo sobre o funcionamento do coração e os sintomas dos infartados, mesmo que não tenha passado por isso. Em outras palavras, ele tem consciência, sem quale, sem experiência. Já as qualia é o self experienciando diretamente na mente. Viagens é o exemplo mais interessante. Hoje se aprende muito sobre tantas partes e cultura do planeta virtualmente, sem viajar. Podemos aprender praticamente tudo a respeito do mundo. Eu mesmo descrevi Rio Branco, no meu livro Miguelito, sem ter jamais conversado com um riobranquence e ido lá. Pesquisei Google Maps para ver detalhes das ruas etc. Parece que eu conheço bem o lugar. Mas sem qualia. Viajar para sentir com o próprio olhar a Torre Eiffel, e todo vislumbramento de Paris, saborar na Grécia a culinária mediterrânia, um pit em pub in loco em Londres, a aurora boreal nos países nórdicos etc. Esta experiência direta é o self experienciando na mente. Mais do que adquirir conhecimento, ele criou redes neurais que envolvem emoções, sensações e memórias. Estou  citando a Europa para um breve tour mental, mas o mundo pode ser a experiência. Eu, que nunca viajei para o exterior, posso usar todas as palavras para descrever o que é o exterior, mas nunca darei a minha verdade de ter sentido na mente meu olhar pessoal admirando as Pirâmides do Egito. Se o consolo basta, Machado de Assis nunca saiu da cidade carioca (com duas ou três exceções), e seus textos nos enganam muito. Então, consciência é, primeiro, ter a experiência direta do ardido da pimenta, e/ou, em segundo, conhecer tudo biológica e quimicamente do processo de ardência da pimenta sem jamais ter experienciado a pimenta. Há médicos que talvez nunca tomaram heroína e conhecem tudo a respeito desta droga e seus efeitos no corpo humano. Ele tem consciência de heroína, sem qualia. Escrevo pensando em nosso sistema educacional básico no Brasil, que é moldado em adquirir conhecimento, sem qualia. Eu me lembro de uma escola particular em que eu dei aula. Eu falava sobre mitologia grega, sobre a Grécia, e um aluno foi me falando que conheceu Parthenon etc. Ele tinha as qualia. Eu somente a palavra e a cara de paisagem. A grande exceção na educação básica é a Língua Portuguesa, porque alunos e alunas falam a língua portuguesa, que se estuda na sala de aula. A maior dificuldade em especial nesta matéria é fazê-los perceber que eles já possuem dentro de si a expiência do idioma. Não se ensina língua portuguesa para nativos em português. Aprimora-se a norma-padrão e pode-se experienciar a arte da literatura, que aí sim é um nível maior de ensino. Laborarório para Ciência, Biologia, Física, Química, Matemática é uma boa forma de os alunos terem consciência do que se aprende, de primeira ordem, ou seja, com qualia, diretamente na mente. Estudos in loco de Geografia e História também, ainda que História é o estudo essencialmente memorial, porque é a reconstrução do que somos culturalmente com o olhar no que éramos. Está aí uma boa reflexão para mim, em termos de deixar uma escola bem mais agradável, envolvente, feliz e interessante. Tentar mais experiências diretamente, que é o que o professor Lucas, por exemplo, busca fazer. Eu tenho admirado todos estes projetos porque sei que sou um professor conteudista. Mas tenho revisado esta minha verdade, e toda revisão é uma busca de adaptação para melhor. Neste sentido que aperta o coração a situação da condição da escola. Tantos modos de ensinar tão ricos, cheios de vontade e competência, porém com obstáculos estruturais, que inibem vontades. Como é obrigatório os alunos passarem pela escola, teríamos muito menos stress emocional se a prática fosse a regra e os conceitos sem qualia as exceções. Estou sendo bem específico entre os 6° e 9° anos, que é uma fase que dá para agregar demais. Alunos e alunas estão em formação. Todas as experiências são quase que aceitas. Alunos felizes e escola feliz, professores igualmente felizes. Ao menos em termos pedagógicos.

Prof. Flavio

sábado, 22 de setembro de 2018

Ficar velho. Ficar jovem

Quando olho para meus filhos de 18, 16 e 11 anos, vejo a mim mesmo o homem de 44 anos, envelhecendo, insistindo na vida visivelmente desgastada.

Por outro lado, quando olho para meus livros, meus textos, meus estudos, encontro uma outra inspiração dentro de mim, que nega o envelhecimento, rejuvenescendo-me, e mais ânimo me contagia como se eu fosse esperançoso sonhador.

Neste estado de euforia, eu resgato um dos momentos mais mágicos de minha vida, quando me descobri com potencial para pensar a realidade do mundo, e me encantei quando percebi que eu existia e tinha muito potencial para aprender. Eu estava com 18 anos e cursava o 2° ano do ensino médio, em um dos colégios particulares mais puxados de SP. Foi numa aula de História. O professor Alves, dono da escola, malufista. Eu fui contra eleger Maluf em 1992 para prefeito e entramos em discussão ideológica. Não cedi. Debatia ideias livremente.

Pela primeira vez eu pude sentir meu pensamento livre para criticar o mundo sem medo, e não apenas reproduzir mecanicamente discursos ideológicos e ideias alheias sem assimilar o que falava.

Causou-me esquisitice deixar de ser ingênio e ter de ponderar todas as possíveis consequências dos meus atos para a minha vida e para a vida das pessoas. Tão jovem e já um filósofo em potencial.

Esta descoberta teve um preço alto, quase fatal, porque me apresentou a depressão, dos 18 aos 22. Quatro anos tortuosos, que  depois de superada, eu canalizei cada dor sentida e desespero vivido na alma para o bem. A dor do ser humano passou a não ser mais segredo para mim. Não somente a dor. A mente humana se abria claramente. Escrever foi refletir a minha compreensão.

Sem saber, hoje existem estudos chamados Teoria da Mente, que é a mente tentando entender para antecipar as intenções de outra (muito comum nos jogos de disputas manipulatórias em grandes empresas, na política, entre advogados, no poker etc). Depois aprendi a sorrir para as pessoas e tornei-me candidamente positivo. Candidamente, referente ao personagem Cândido, do livro de Voltaire.

Depois da maravilha de pensar, a outra maravilha foi descobrir ser pai. Talvez o sentimento que mais me arrebata a cada momento de minha vida. Lembrar todos os dias a eles de que os amo e que quero ser um abre-alas para eles. Muito me inspira. Ser professor é uma mistura entre o pai e o filósofo, que sou, tanto técnica quanto amadoramente. O amadurecimento me fez ser mais feliz e creio que nossos jovens - paralelamente à reflexão - precisam rir. Gosto de fazer rir.

Ultimamente acredito no sorriso como irmão gêmeo do medo, mas que, ao invés de oprimir, liberta. O medo e o riso tem o mesmo princípio. Se não bota fé, relembre as "pegadinhas" do Sílvio Santos.

Este ano lanço mais um livro, Miguelito: Memórias e já possuo cinco na fila para terminar e tentar publicar ao menos um por ano. Mas quem sabe dois por ano? É a minha juventude em ação. Nada de parar a vida. Parafraseando Clarice Lispector, quem para morre; quem pensa em parar está morrendo sem saber.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O amor volta

Então o amor volta
Com a forçar de sofrer.
Desejamos a paz.
Ele nos presenteia a dor.
A dor que criamos por desejar.
Ela, a amada, em pensamentos
Que silenciam ações e desejos
Que não sejam com ela.
Eu a quero para mim,
E quero perder-me nela.
Quero-a para não perder-me.
Noites aflitas na solidão,
Que o fim de quem ama, poeta.
Se gosto de amar,
O sofrer me cai muito bem.
Não sei se o estado amante
Purifica-me a arrogância
Que me seguia os dias.
Sei que agora vou sofrer.
Uma alma boa que sente
Mais beleza do que escuridão.
Terei de aprender.
Aprender a olhar nublado.
Não sei se quero mesmo
A prisão que já encontro.
Sei que estou amando.
Ao menos vivo outrora.
Reconstruo-me nas palavras
Porque quem ama, vive.
Quem ama, persiste.
Quem persiste, sofre.

Quem sofre, existe

E na existência, purifica-se.

Amar é purificar-se.