sábado, 29 de setembro de 2018

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Se me diz amor em mistério,
Sem mistério é seu coração.
Iludo-me, exausto, da vida?
Talvez, mas aceito, e acolho,
Porque o amor diz-me segredos.
Vivi tantos e quantos sonhos,
Que não sonho mais a ilusão.
Gosto segredo revelado,
Aquele dos olhos molhados,
Sem lágrimas, trêmulos os lábios,
Tremem mãos e peito apertado.
Suspeita de ser bela amada?
Quero-lhe linda poesia,
Que a beleza diz o infinito.
Respire, respire ofegante.
Quem bate à porta o amor?
Desejo de ser em verdade,
Porque viver é ser feliz.
Poesias e doces poemas
Por mim, mãos inquietas, escritas.
Você, suave inspiração,
Que o tempo é amigo da dor
P'ra quem ama, e sozinho acorda.
Se traz para mim seu mistério,
Decido ficar sem temor,
Aqui p'ra colher doces frutos,
E em resposta dou-lhe o prazer
De saber, com arte, amar.
Do amigo renasce a vontade,
Que do amigo o sonho aparece,
Que pode tocar lábios seus.
Quem sabe ser enamorados,
Porque felizes merecemos
Viver p'ra sentir um ao outro,
Deixar o carinho crescer.
Somos para o mundo pequenos,
O que é ser grande p'ro mundo?
É amar com desejo eterno
Descobrir grande felicidade,
Fazer da amizade a verdade?
Creio em alma feliz pela vida,
Na paz, duas almas amantes.
Creio no carinho, respeito,
Na entrega ao outro amante.
Um coloca sem o outro tirar,
O sorriso o amor se revela,
Espero poder partilhar,
Com belas e ricas palavras,
E gestos, verdades, carinhos.

(Flavio Notaroberto)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Escola Feliz, todos felizes

O que é consciência? Podemos dizer que há dois tipo de consciência. A primeira é a consciência experimentada, do tipo o corpo sentir diretamente na mente a experiência de uma vivência. Dá-se o nome de qualia (plural de quale). A segunda consciência é a mente saber tudo sobre a experiência, mas não sentir diretamente na mente. Sobre este último, um bom exemplo é um médico cardiologista, que nunca teve problemas no seu próprio coração e, portanto, não experienciou na própria mente a consciência de um infarto. Ela sabe intelectualmente tudo sobre o funcionamento do coração e os sintomas dos infartados, mesmo que não tenha passado por isso. Em outras palavras, ele tem consciência, sem quale, sem experiência. Já as qualia é o self experienciando diretamente na mente. Viagens é o exemplo mais interessante. Hoje se aprende muito sobre tantas partes e cultura do planeta virtualmente, sem viajar. Podemos aprender praticamente tudo a respeito do mundo. Eu mesmo descrevi Rio Branco, no meu livro Miguelito, sem ter jamais conversado com um riobranquence e ido lá. Pesquisei Google Maps para ver detalhes das ruas etc. Parece que eu conheço bem o lugar. Mas sem qualia. Viajar para sentir com o próprio olhar a Torre Eiffel, e todo vislumbramento de Paris, saborar na Grécia a culinária mediterrânia, um pit em pub in loco em Londres, a aurora boreal nos países nórdicos etc. Esta experiência direta é o self experienciando na mente. Mais do que adquirir conhecimento, ele criou redes neurais que envolvem emoções, sensações e memórias. Estou  citando a Europa para um breve tour mental, mas o mundo pode ser a experiência. Eu, que nunca viajei para o exterior, posso usar todas as palavras para descrever o que é o exterior, mas nunca darei a minha verdade de ter sentido na mente meu olhar pessoal admirando as Pirâmides do Egito. Se o consolo basta, Machado de Assis nunca saiu da cidade carioca (com duas ou três exceções), e seus textos nos enganam muito. Então, consciência é, primeiro, ter a experiência direta do ardido da pimenta, e/ou, em segundo, conhecer tudo biológica e quimicamente do processo de ardência da pimenta sem jamais ter experienciado a pimenta. Há médicos que talvez nunca tomaram heroína e conhecem tudo a respeito desta droga e seus efeitos no corpo humano. Ele tem consciência de heroína, sem qualia. Escrevo pensando em nosso sistema educacional básico no Brasil, que é moldado em adquirir conhecimento, sem qualia. Eu me lembro de uma escola particular em que eu dei aula. Eu falava sobre mitologia grega, sobre a Grécia, e um aluno foi me falando que conheceu Parthenon etc. Ele tinha as qualia. Eu somente a palavra e a cara de paisagem. A grande exceção na educação básica é a Língua Portuguesa, porque alunos e alunas falam a língua portuguesa, que se estuda na sala de aula. A maior dificuldade em especial nesta matéria é fazê-los perceber que eles já possuem dentro de si a expiência do idioma. Não se ensina língua portuguesa para nativos em português. Aprimora-se a norma-padrão e pode-se experienciar a arte da literatura, que aí sim é um nível maior de ensino. Laborarório para Ciência, Biologia, Física, Química, Matemática é uma boa forma de os alunos terem consciência do que se aprende, de primeira ordem, ou seja, com qualia, diretamente na mente. Estudos in loco de Geografia e História também, ainda que História é o estudo essencialmente memorial, porque é a reconstrução do que somos culturalmente com o olhar no que éramos. Está aí uma boa reflexão para mim, em termos de deixar uma escola bem mais agradável, envolvente, feliz e interessante. Tentar mais experiências diretamente, que é o que o professor Lucas, por exemplo, busca fazer. Eu tenho admirado todos estes projetos porque sei que sou um professor conteudista. Mas tenho revisado esta minha verdade, e toda revisão é uma busca de adaptação para melhor. Neste sentido que aperta o coração a situação da condição da escola. Tantos modos de ensinar tão ricos, cheios de vontade e competência, porém com obstáculos estruturais, que inibem vontades. Como é obrigatório os alunos passarem pela escola, teríamos muito menos stress emocional se a prática fosse a regra e os conceitos sem qualia as exceções. Estou sendo bem específico entre os 6° e 9° anos, que é uma fase que dá para agregar demais. Alunos e alunas estão em formação. Todas as experiências são quase que aceitas. Alunos felizes e escola feliz, professores igualmente felizes. Ao menos em termos pedagógicos.

Prof. Flavio

sábado, 22 de setembro de 2018

Ficar velho. Ficar jovem

Quando olho para meus filhos de 18, 16 e 11 anos, vejo a mim mesmo o homem de 44 anos, envelhecendo, insistindo na vida visivelmente desgastada.

Por outro lado, quando olho para meus livros, meus textos, meus estudos, encontro uma outra inspiração dentro de mim, que nega o envelhecimento, rejuvenescendo-me, e mais ânimo me contagia como se eu fosse esperançoso sonhador.

Neste estado de euforia, eu resgato um dos momentos mais mágicos de minha vida, quando me descobri com potencial para pensar a realidade do mundo, e me encantei quando percebi que eu existia e tinha muito potencial para aprender. Eu estava com 18 anos e cursava o 2° ano do ensino médio, em um dos colégios particulares mais puxados de SP. Foi numa aula de História. O professor Alves, dono da escola, malufista. Eu fui contra eleger Maluf em 1992 para prefeito e entramos em discussão ideológica. Não cedi. Debatia ideias livremente.

Pela primeira vez eu pude sentir meu pensamento livre para criticar o mundo sem medo, e não apenas reproduzir mecanicamente discursos ideológicos e ideias alheias sem assimilar o que falava.

Causou-me esquisitice deixar de ser ingênio e ter de ponderar todas as possíveis consequências dos meus atos para a minha vida e para a vida das pessoas. Tão jovem e já um filósofo em potencial.

Esta descoberta teve um preço alto, quase fatal, porque me apresentou a depressão, dos 18 aos 22. Quatro anos tortuosos, que  depois de superada, eu canalizei cada dor sentida e desespero vivido na alma para o bem. A dor do ser humano passou a não ser mais segredo para mim. Não somente a dor. A mente humana se abria claramente. Escrever foi refletir a minha compreensão.

Sem saber, hoje existem estudos chamados Teoria da Mente, que é a mente tentando entender para antecipar as intenções de outra (muito comum nos jogos de disputas manipulatórias em grandes empresas, na política, entre advogados, no poker etc). Depois aprendi a sorrir para as pessoas e tornei-me candidamente positivo. Candidamente, referente ao personagem Cândido, do livro de Voltaire.

Depois da maravilha de pensar, a outra maravilha foi descobrir ser pai. Talvez o sentimento que mais me arrebata a cada momento de minha vida. Lembrar todos os dias a eles de que os amo e que quero ser um abre-alas para eles. Muito me inspira. Ser professor é uma mistura entre o pai e o filósofo, que sou, tanto técnica quanto amadoramente. O amadurecimento me fez ser mais feliz e creio que nossos jovens - paralelamente à reflexão - precisam rir. Gosto de fazer rir.

Ultimamente acredito no sorriso como irmão gêmeo do medo, mas que, ao invés de oprimir, liberta. O medo e o riso tem o mesmo princípio. Se não bota fé, relembre as "pegadinhas" do Sílvio Santos.

Este ano lanço mais um livro, Miguelito: Memórias e já possuo cinco na fila para terminar e tentar publicar ao menos um por ano. Mas quem sabe dois por ano? É a minha juventude em ação. Nada de parar a vida. Parafraseando Clarice Lispector, quem para morre; quem pensa em parar está morrendo sem saber.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O amor volta

Então o amor volta
Com a forçar de sofrer.
Desejamos a paz.
Ele nos presenteia a dor.
A dor que criamos por desejar.
Ela, a amada, em pensamentos
Que silenciam ações e desejos
Que não sejam com ela.
Eu a quero para mim,
E quero perder-me nela.
Quero-a para não perder-me.
Noites aflitas na solidão,
Que o fim de quem ama, poeta.
Se gosto de amar,
O sofrer me cai muito bem.
Não sei se o estado amante
Purifica-me a arrogância
Que me seguia os dias.
Sei que agora vou sofrer.
Uma alma boa que sente
Mais beleza do que escuridão.
Terei de aprender.
Aprender a olhar nublado.
Não sei se quero mesmo
A prisão que já encontro.
Sei que estou amando.
Ao menos vivo outrora.
Reconstruo-me nas palavras
Porque quem ama, vive.
Quem ama, persiste.
Quem persiste, sofre.

Quem sofre, existe

E na existência, purifica-se.

Amar é purificar-se.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O belo nela - poema

O belo nela enaltece

Vontade, cheia de amor, pede
Minha triste alma p'ra alcançar;
Que o belo nela enaltece
E juro, para mim mesmo, olhar

Seus olhos, os dela, que amo,
Sem esconder de mim p'ra ela,
Sem saber a solidão como
Vivo, sem remos, um barco a vela,

Solto, infindo mar, em bonança.
Ela me vive solitário.
Ela me revive em criança.
Ela devolve o meu contrário,

Que do sofrer feliz me torna,
Que do morrer viver me faz,
Que do sonhar real demora,
E por fim em mim vive a paz.

domingo, 16 de setembro de 2018

Peça

Assisti a uma peça ontem sobre uma época próxima que eu não vivi. Década de 60, 70. Por meio de um musical. Simples, sem grande produção, mas intensa. Havia 20 na plateia, que cabia 150. Rua Augusta agitada. O ator principal se chama Ciro Barcelos, que é famoso no meio, há muitos anos. Entre ele, quatro jovens atores. Eu gosto de teatro e ao mesmo tempo não gosto. Se eu fico sem, não vejo a hora de ir. Se vou, saio de lá com a sensação de que faltou muita coisa. Raramente saio safisfeito. Nesta produção, eu fiquei satisfeito. Eu assisti, na verdade, um belo depoimento, por meio da arte, da vida pessoal de uma época que paradoxalmente havia mais coragem do que a de meus filhos. Estes anos que hoje testemunhamos pertencem à geração que vem. Vejo desta forma porque temos que pensar em nós também, nossa vida pessoal, nossos planos, que inclui realizar o que nos faz essencialmente feliz. O sonho é eterno em quem se ilude, tipicamente as verdades dos jovens. No palco, Ciro Barcelos, sobre quem nunca ouvi falar, e quatro atores, com idade para serem os netos dele. Ciro Barcelos vivei a tropicália, com canção dedicada a ele por Caetano, e conheceu todos os ícones daquela época, com uma intimidade de invejar. Na Europa, em exílio, com o grupo Dzi Croquettes, foi assistido pela nata artística da época em Paris. Ele passava de ano em ano, de quando fugiu de casa com Maria

domingo, 9 de setembro de 2018

Sermos Felizes 🤗😄😂😁

As pessoas querem ser felizes. Amigos e amigas, conhecidos e conhecidas, afetos e desafetos. Todos querem ser felizes. Antes de falar sobre o que penso em ser feliz, devo citar Aristóteles e o seu livro A Política, que faz o tratado a respeito do melhor governo possível, mas antes o filósofo grego chega à conclusão de que a fanalidade de nossas ações é a felicidade. A finalidade da pessoa, da família e por fim da sociedade é a felicidade.

Vejo amigos buscando sua felicidade em religião, na arte, nas distrações da mente, que são quase que ilimitadas. Uma conhecida, que não vejo há muito tempo, me agradeceu por uma reflexão que eu escrevi sobre o tema suicídio. Ela, que busca a sua própria felicidade, me abriu a curiosidade de skaltear o Instagram dela e ver o que de feliz se me aparecia. O que me chamou a atenção foi um par de fotos meditativas, com trajes indianos, com aquela marquinha no centro da testa, roupas exóticas e coloridas. Havia algo de felicidade. Assombrou-me a descoberta da felicidade dela.

Antes de especular o que é ser feliz e a plenitude que envolve a felicidade, conclui que somente é feliz quem busca a felicidade, quem busca eternamente a felicidade, quem vive a vida buscando a felicidade. Sei que não basta a paz para a felicidade. Ainda que pessoalmente eu creia que não existe a felicidade, creio no estado de felicidade. Ora, é a busca este estado, como um livro que se lê, um livro sem fim, sem a última página. A felicidade é esta busca.

Quem diz que encontrou a felicidade, devemos crer, porque a busca nos traz ocupação com nosso próprio destino neste mundo. Por esta razão, não penso no encontro da felicidade. Penso na contante busca da felicidade. Como a minha amiga, que me agradeceu pelas breves palavras que escrevi. O tema suicídio é tóxico e cruel, ainda que real e lamentavelmente próximo. Viver é a constante busca. Minha conhecida, meus amigos, eu, todos nós seremos felizes na busca da felicidade e não necessáriamente ao achá-la. Simplesmente porque parece impossível um estado constante de êxtase, sem que seja ironicamente desajuste emocional. Me encanta viver transidando com sentidos mais abertos para esta viagem. Esta amiga conhecida é jovem. Ela tem muito tempo. Todos tempo. Na ausência deste, o que somos? Dentro do tempo precisamos ser algo. Este o segredo. Buscar sempre.